Ciro Gomes 2018

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Ciro Gomes 2018 - Todos com Ciro

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O benefício imediato do salário.


Caros,

Eu já postei aqui a razão pela qual eu acho que o salário do docente das IFEs é ruim. Vou postar agora um raciocínio, um tanto simplista é fato (mas ainda válido na minha opinião), da razão pela qual o aumento salarial melhora a qualidade do serviço docente e, portanto, beneficia a educação.

Vamos, de maneira grosseira, agrupar os docentes em 5 grande grupos. Fiquem à vontade para atribuir os percentuais de contingente em cada um

1) Improdutivos por incompetência ou negligência (sim, eles existem e, assim como em todo o lugar do funcionalismo público, são mais do que deveria ser).

2) Improdutivos por estarem desmotivados pela desvalorização.

3) Improdutivos por estarem envolvidos com graves problemas financeiros.

4) Produtivos apesar dos problemas, mas que buscam oportunidade mais rentáveis no exterior ou no mercado privado de trabalho (sim, eles também existem e são muitos; não é a toa que o Brasil é o 13o produtor de ciência no mundo).

5) Produtivos apesar dos problemas e que desejam permanecer no sistema público de ensino superior (heróis ou românticos patológicos).

O grupo 1 está presente em todo o funcionalismo público e o aumento salarial não modifica a conduta desse grupo. Por outro lado, certamente o arrocho também não tem influência positiva. Antes pelo contrário, esse indivíduo começa o burlar o sistema para auferir cada vez mais, trabalhando cada vez menos.

Os grupos 2 e 3, uma vez resolvido o problema financeiro e se revertendo a questão da desvalorização pelo aumento do salário, são resgatados e se tornam produtivos novamente.

O aumento do salário retém os docentes do grupo 4 dentro da IFE e interrompe o êxodo de cérebros capaz de matar a universidade federal brasileira do mesmo modo que aconteceu com o ensino básico há algumas décadas atrás.

Já a melhoria do salário faz pouca diferença para o grupo 5. Esse trabalha e produz, independente do rendimento. Entretanto, nesse caso a justiça é feita. Ou seja, ganhamos de 4 x 1.

Por fim, quando a carreira acadêmica se torna mais atrativa, ela começa a se cercar dos melhores talentos que, ainda que não renovem automaticamente o quadro de docentes contaminado mais do que o devido pela incompetência e negligência (assim como em qualquer outro lugar do serviço público), vão engrossando as fileiras da iniciação científica, mestrado, doutorado, pós-doutorado e daí por diante. Mais ainda, o aumento de produtividade dos bons constrange os maus profissionais que ficam relegados ao segundo plano, removendo deles as esferas de poder que atrasam o desenvolvimento da qualidade do ensino. Ainda sob essa ótica e pelas mesmas razões, a carreira política dentro da universidade se torna cada vez mais fraca, menos atrativa e viável, liberando esforços e destravando burocracias para o ensino, pesquisa e extensão; a essência da universidade.

VRC

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