domingo, 1 de fevereiro de 2009
80 frases do ateu
Deus no banco dos réus
Deleitem-se com o fluxo suave da lógica calcada na razão cética e inquisidora.
Abraços!
Vinícius
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Viagem a São Saruê...
Ponte da cadeia - centro de São João Del Rei
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Gostei da foto
E aqui vai o link para a reportagem:
http://veja.abril.com.br/020408/p_108.shtml
Um forte abraço a todos!
Viníciusterça-feira, 10 de junho de 2008
Homeopatia e outras superstições

quarta-feira, 4 de junho de 2008
A consolidação de uma nova era
Caros amigos, 


terça-feira, 20 de maio de 2008
Analfabetismo científico e fundamentalismo ecológico
2) Cromatografia e espectrometria de massa? Meu Deus, quanto clichê! De fato essa maravilhosa técnica nos permite identificar compostos presentes em uma determinada solução segundo sua resposta espectral a um estímulo luminoso. E daí? O que isso resolve isoladamente? Para começar você emprega essas técnicas para detectar compostos presentes em fluidos extraídos dos seres vivos. Depois, como é possível identificar, por exemplo, compostos sintetizados ou degradados em situações de estresse, seu material for coletado de um animal que não foi submetido a essa situação e, portanto, não metabolizou e nem sintetizou os tais compostos???
Eu me recuso a comentar o item 3 "Farmacologia e mecânica quânticas (de onde vem o plural aqui? Farmacologia quântica?)" que nem técnicas são e sim disciplinas da ciência.
Os itens 4 e 5 são exatamente a mesma coisa e representam o super-conjunto do qual 6 faz parte como método investigativo complementar. São, de fato, uma importante ferramenta para o estudo de doenças. Mas os achados nesse caso são sobretudo correlacionais e não causais. Por definição essa técnica não investiga mecanismos básicos da patologia (muito menos da fisiologia). Na verdade, ela é muito importante no sentido de sugerir caminhos a serem investigados pela pesquisa básica, indicando possíveis fatores causadores das doenças e estratégias de saúde pública. Entretanto, pela própria limitação da técnica, há um risco enorme de erros crassos de causalidade. Vai um exemplo brincalhão: você identifica que 9 meses após o carnaval há um aumento no número de nascimentos de crianças de uma determinada região do país, onde, exatamente no período do carnaval, é época de uma determinada fruta. Você então começa a tratar mulheres com problemas de fertilidade com a fruta? É claro que o exemplo é exagerado e os epidemiologista nunca concluiriam isso. Mas eles também não se atreveriam a descartar de pronto a fruta e nem a concluir que se trata da liberalidade sexual presente nas festas populares. Eles proporiam os seguintes experimentos: A) forneça a fruta a um grupo de indivíduos que não freqüentam festas de carnaval de maneira alguma, B) forneça a fruta num período diverso dessa festa e C) retire a fruta da alimentação de outro grupo que têm um comportamento sexual mais desregrado (sem preconceito hein!?) e veja em qual grupo há maior incidência de nascimentos de bebês.
O item 9 também é óbvio demais par ser comentado. O item 10 chega a ser uma piada. Se você considera o seu cérebro semelhante o suficiente a uma placenta, de maneira a permitir que lhe façam uma neurocirurgia com o treinamento nesse tecido, essa é uma escolha sua e aí eu não posso mesmo interferir - já eu dou mais valor aos meus neurônios. O item 11 é similar aos 7 e 8 e se trata de uma aproximação limitada de uma pequena parcela da complexa fisiologia humana. No item 12, imagino que você se refira, sobretudo a áreas como a bioinformática, por exemplo, uma vez que boa parte das pesquisas genéticas implicam na criação de mutantes que, dentre outras condições, muitas vezes mimetizam patologias humanas, portanto representando experimentação animal. Pois bem, disciplinas como a bioinformática dependem de dados coletados da experimentação animal. De onde você acha que veio os vários genomas já seqüenciados se não das amostras dos tecidos? E os dados da expressão gênica presente em patologia como o câncer ou desordens neurológicas? De onde você acha que vem a informação da função de um gene ou de sua proteína de forma geral, informação tão importante na bioinformática? A conformação estrutural quaternária das proteínas de fato, sugere muito sobre a sua função biológica, mas de forma alguma encerra o problema. O mecanismo da vida é simplesmente complicado demais. Mais grave ainda, prever computacionalmente a conformação estrutural da proteína a partir da seqüência de aminoácidos é ainda em problema em aberto na ciência, e talvez, permaneça sempre assim, por se tratar, possivelmente, de um problema "ill posed".
Enfim, concordo que há alternativas para a experimentação (nunca discordei disso e nem discorda a comunidade científica séria), mas nenhuma delas foi capaz de substituir à altura a experimentação animal. Os métodos citados são todos, sem exceção, muito valiosos e são amplamente empregados na academia. Entretanto, dizer que evoluiremos no conhecimento do mundo natural que nos rodeia e permeia, usando apenas esse conjunto de ferramenta, é um reducionismo simplista próprio do analfabetismo científico exemplificado de forma prática neste fórum.
Especismo, fundamentalismo ecológico e experimentação animal
O debate sobre o uso de animais na experimentação animal se acirra a cada dia que passa. Por um longo tempo me abstive de formalizar minha opinião. Recentemente, entretanto, a revista Galileu soltou uma matéria de qualidade no mínimo duvidosa a respeito do tema. Fui conferir o debate no ambiente virtual dos comentários online dos internautas leitores da revista e aí não pude me conter. Considerei quase criminoso permanecer calado sobre a situação. De qualquer forma, segue abaixo minha réplica a outro internauta que, como eu, já vinha participando há mais tempo do referido debate. Após esta entrada (Sobre o especismo), reproduzo minhas primeiras colocações e as réplicas de outros internautas, sem qualquer tipo de edição.
Abraços!
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Bom, estão parece que a questão se resume ao especismo. Vamos então discutir friamente o especismo, com o rigor da lógica e dos fatos, conforme exige a seriedade do tema. O que é então o especismo? Apesar do meu editor de texto não reconhecer a palavra, de acordo com o Wikipedia se trata de um neologismo que significa a discriminação de seres baseados em suas espécies assim como o racismo discrimina indivíduos com base na cor da pele ou numa alegada “raça” ou o sexismo o faz com base no gênero do indivíduo. Como disse um outro internauta, é nos sentirmos superiores aos animais a ponto de submetê-los a sofrimento para nosso benefício, assim como faziam os escravagistas. Ou, em termos mais científicos e específicos do debate, é a espécie Homo sapiens se sentir superior à espécie Rattus norvegicus ou à Mus musculus.Comecemos a desenvolver nosso raciocínio considerando o sentido da palavra e, sendo o especismo alegadamente errado (“[] chega de especismo”), devemos ser não especistas e, portanto, necessariamente, considerar indivíduos de outras espécies como nossos semelhantes. Isso é uma verdadeira dicotomia, sendo que a única alternativa restante é nos considerarmos inferiores aos animais, caso em que voltamos a ser especistas, mas no sentido contrário. Portanto, na premissa não especista, se não somos superiores e muito menos inferiores, devemos concluir que indivíduos de outras espécies são nosso semelhantes.
Bom, façamos um trabalho mental e vamos imaginar um mundo não especista. Mas não especista de verdade. Em primeiro lugar, para ser um não especista, é necessário que sejamos todos vegetarianos, pois assassinar semelhantes nossos para nos alimentarmos de sua carne é certamente, numa sociedade não especista, um crime brutal e primitivo. Na perspectiva não especista, comer carne de boi, frango ou peixe é simplesmente canibalismo e, portanto, inaceitável – creio que alguns ativistas mais radicais dirão que, de fato, devemos nos tornar vegetarianos. Entretanto, para levarmos a sério a filosofia não-especista, deveríamos ser vegetarianos radicais, que não consomem sequer derivados de animais, tais como queijo, leite, ovos, etc. E pela simples razão de que não é justo confinar e escravizar nossos semelhantes para que possamos nos alimentar. É tão injusto e cruel como uma hipotética sociedade primitiva manter dezenas de mulheres adultas da tribo rival em cativeiro, com direito apenas à uma ração básica, das quais se toma forçadamente o leite de suas mamas diariamente e, mais ainda, afastando as crianças de seu convívio para que ela não consumam o leite destinado aos indivíduos da tribo dominadora. Portanto, nada de leite, ovos ou coisa que o valha, só vegetais mesmo. Afinal de contas, não há nada que os seres humanos comam de origem animal que seja espontaneamente e de livre vontade doado pelos os animais.
Mesmo no caso de sermos vegetarianos radiais, permanece uma questão importante, que deve ser levantada: qual o domínio taxonômico do especismo? É todo ser vivo? Se for, nem vegetariano pode; a gente tem que dar um jeito rápido de aprender a viver de luz ou inventar umas receitas de sopa de pedra, porque, nesse caso, arrancar um pezinho de alface é igual submeter um irmão à guilhotina. Se o domínio for o reino animal e não o vegetal, então você é um assassino frio e sanguinário quando esmaga a barata que invade a sua dispensa ou um genocida quando usa um Baygon para eliminar uma infestação de formigas na sua casa. Afinal de contas são nossos semelhantes, não são!? Ou seja, nem mesmo o domínio do especismo dado conforme a presença ou não de um sistema nervoso seria aplicável.
Saindo do ilustrativo absurdo, busquemos um domínio mais inteligente, oriundo de evidências da neurociência (a maioria delas coletadas com experimentação animal): nossos semelhantes em uma sociedade não especista são, portanto, apenas os seres vivos do reino animal dotados de sistema nervoso central e, em particular de neocórtex. Isso é bem mais coerente, pois tal estrutura encefálica tem sido sistematicamente correlacionada com funções superiores da psique tais como memória, raciocínio lógico-matemático, emoções e mesmo consciência (apesar de que a existência desta em animais é muitíssimo discutível, mas deixemos essa polêmica para outra hora). Bom isso nos deixa com um número bem mais limitado de seres vivos, deixando de fora uma considerável parcela das espécies usadas na experimentação animal – em tempo: é interessante como as bases mais sólidas da ética do convívio homem - animal provém da própria ciência experimental.
Ainda restariam animais como os roedores, os felinos e os primatas. Isso nos leva a outro exercício mental. Imagine a seguinte situação: devido a uma forte nevasca, você ficou preso em uma cabana nas montanhas. As portas e janelas estão cobertas de neve e você não pode sair, mas você tem o seu telefone celular que ainda funciona. Você liga para o resgate e eles te informam que conseguirão chegar até você em aproximadamente dez dias, pois a situação é gravíssima em todo o país (é o efeito estufa, dizem eles). Eles te pedem paciência e que tente sobreviver com o que há disponível na casa. Você faz uma busca e descobre que há água suficiente e alguns poucos litros de leite e mais nada. Sendo saudável, você acredita que com o repouso e aquecimento devido, você conseguirá sobreviver. Mas aí, surge uma nova circunstância que complica gravemente a situação. Você escuta um choro de criança em um cômodo adjacente e descobre um bebê de menos de um ano de idade, bem aquecido em um berço confortável, mas totalmente desamparado. No chão do cômodo está também uma mulher, já morta, semi-soterrada pela neve que desabou de um canto do teto. Parece ser a mãe que morreu congelada ao ser dominada pela neve. Você rapidamente toma a criança nas mãos, buscando verificar a sua integridade física e descobre que, apesar de estar bem de saúde, ela chora de fome. Corre então para a cozinha para servir ao bebê um pouco do alimento necessário, enquanto calcula que, apesar de significar uma dose quase insuportável de sacrifício extra, você será capaz de salvar aquela vida se abrir mão de boa parte do leite. É possível, afinal a sua condição atlética lhe permite isso e o seu altruísmo lhe dará as forças necessárias para esse objetivo. Mas chegando lá, você descobre mais um sobrevivente na cabana: o gato da família...
Bom, você já viu onde eu quero chegar, não!? Pois é, você, sinceramente, abriria mão da sua cota de alimento para dar ao gato? Ou ainda, você daria cotas iguais de leite para o bebê e para o gato? Pense bem... Se você respondeu “não” a qualquer das minhas perguntas, sinto muito, mas você é um especista e considera a espécie humana superior às outras espécies, mesmo considerando o tipo mais rigoroso de especismo: aquele contra animais providos de sistema nervoso central e neocórtex e, portanto, provavelmente sujeitos à dor e ao sofrimento. Não há como fugir disso, sinto muito. Por outro lado, se você respondeu que sim, que dividiria igualmente o alimento entre o bebê e o gato, você é um caso patológico e deveria ser submetido a tratamento urgente.
Se você ainda insiste que não é um doente mental por ter preferido salvar o gato em detrimento de maximizar as chances de sobrevivência do bebê, você há de concordar comigo que deveríamos alterar boa parte da nossa legislação para equiparar os direitos das espécies, mesmo em questões nada relacionadas à ciência. Primeiro, para te livrar da cadeia pelo crime hediondo de ter negligenciado as necessidades um ser humano totalmente indefeso. Em um segundo momento, uma enorme parte da indústria de alimentos deve ser imediatamente proibida e paralisada, pois são, na verdade, verdadeiras máquinas de tortura e assassinato em massa de nossos semelhantes, a réplica da Auschwitz animal. Isso implicaria, no mínimo na demissão de milhões de trabalhadores e num gravíssimo déficit de produção mundial de alimentos e, portanto, fome. Usar de animais para o trabalho, como no transporte ou na força policial é cruel escravagismo e deve ser imediatamente abolido. E não me venha dizer a bobagem de que nessas condições eles têm alimento e abrigo, já que eles sempre se viraram muito bem por milênios na natureza intacta. Esse argumento é idêntico ao dos coronéis escravocratas que afirmavam estar trazendo os negros para a luz da civilização branca, domesticando seus escravos como se fossem bichos na origem. Ainda nessa perspectiva, animais de estimação e zoológicos se tornariam uma verdadeira aberração, um circo de horrores. Onde já se viu, manter semelhantes nossos presos em cativeiro por conta de uma simples diversão pueril!? As cidades não poderiam mais crescer, nem mesmo para cima, pois qualquer nova habitação na terra no mar ou no ar é uma brutal invasão da propriedade dos nossos semelhantes, pois até no deserto de areia e de gelo há vida (bom, sempre tem a opção de nós irmos morar na lua, certo!?). Seguindo adiante no mar de absurdos que o não especismo nos franqueia, quaisquer endemias, tais como pestes de ratos ou primatas devem ser considerados fenômenos demográficos da vida moderna e nada mais. Eliminar a praga é que não pode, pois isso seria um genocídio.
O homem sempre se beneficiou da vida animal e vai continuar se beneficiando em muitos dos seus setores de atividade. A ciência é apenas mais um deles. Na verdade, a ciência difere drasticamente dos outros setores, pois nela há uma constante e real preocupação com o bem estar dos animais usados, incluindo os mecanismos de fiscalização no manuseio dos animais. Na ciência, o método escolhido é sempre aquele que minimiza o sofrimento dos animais, sendo que custo entra na equação em caráter simplesmente eliminatório (ou seja, se o custo do correto é proibitivo, não se adota o método). Na indústria de alimentos, por outro lado, o método é aquele que gera o maior lucro e ponto final. Mais ainda, a ciência é a mais importante mola propulsora do desenvolvimento humano, mantendo-se aberta sempre a novas idéias, inclusive aquelas que buscam diminuir o uso de animais em suas oficinas de trabalho. Existe, inclusive, a possibilidade de que no futuro a ciência deixe usar animais. A indústria de carnes, por outro lado, nunca deixará de usar animais na sua produção.
O especismo é brutalmente diferente de racismo, termo em que se inspirou o neologismo. É simplesmente estúpido e significa um verdadeiro desrespeito às vítimas do racismo querer comparar uma coisa com a outra. Primeiro porque raça não existe, isso é ciência e está mais do que estabelecido. A distância genética de um sujeito branco para um sujeito negro é menor do que a de um sujeito longilínio para um brevilínio e ambas imensamente menores do que a distância para o nosso parente mais próximo do reino animal. Espécies, por outro lado existem, com enormes diferenças entre si. Segundo, que a idéia do não especismo levada às vias de fato, em toda a sua concepção acarreta uma nova ordem social argumentavelmente insustentável. É uma verdadeira inocência e infâmia dizer que outras espécies animais são nossas semelhantes. Não são e, provavelmente, à exceção de São Francisco de Assis (discutível), ninguém vive o não especismo de verdade. Isso é simplesmente irreal e ilusório. Por fim, não ser não especista não significa uma doutrina de assassinato em massa de animais ou desrespeito pela vida animal. É simplesmente um conceito que justifica o uso da vida animal para benefício do homem, permeado do mais profundo senso moral e ético que são, por sinal, conquista exclusiva, friso, exclusiva da espécie humana. Aliás, só para descontrair um pouco, se a situação da cabana se invertesse, você realmente acredita que o gato iria dividir um pouquinho do seu leite com você?
Por fim, o que se conclui é que o fundamentalismo ecológico nas suas frentes contra a experimentação animal se trata, na verdade, de um ataque hipócrita e despreparado à ciência. Infelizmente é compreensível esse tipo de coisa num país que valoriza a ignorância e presta um culto quase religioso às bundas, peitos, chuteiras e dinheiro fácil. Estudo e dedicação ao conhecimento significam quase um delito moral, principalmente porque em nosso país isso significa abrir mão de maior conforto material. Surpreso? Sinceramente você é tão inocente assim? Faça, então, uma investigação, pesquise no Google: dentre todos os salários de servidores públicos federais com formação superior, os mais mau pagos são os dos professores das IFES (Insituição Federal de Ensino Superior), que se dedicaram intensamente a anos de estudos disciplinados, concorreram herculeamente contra colegas ultra-qualificados nos concursos públicos e hoje sobrevivem cientificamente fazendo milagres com os parcos recursos do financiamento público para pesquisa, soterrados sob pilhas de tarefas burocráticas e entraves logísticos.
Outro internauta soltou aqui o argumento de que cientista busca fama e prestígio. Isso é um estereótipo ridículo e infantil, oriundo no mínimo dos desenhos animados que mostravam aqueles doidos de cabelos desgrenhados em um castelo, criando quimeras e coisas do gênero. Fama? Isso é risível. Basta um exemplo prático para desconstruir essa idiotice: peça a qualquer cidadão não cientista (e muito provavelmente mesmo os cientistas) que, em três minutos nomeie, de cabeça, cinco ganhadores do Oscar e cinco ganhadores do prêmio Nobel (reconhecimento máximo da ciência mundial). Sinceramente, preciso dizer o resultado desse experimento social, mencionando em qual tarefa os cidadãos se sairão melhor? É óbvio que os contemplados com a estatueta dourada de Holywood dariam um chocolate nos cientista do Karolinska. Aliás, quantos sabem onde é feita a premiação do Nobel ou quantos já viram um discurso de recebimento do prêmio?
Portanto, vamos nos inteirar dos fatos antes de sair por aí balançando as floridas bandeiras da moda pseudo-vanguardistas e intelectualóides, sob pena de ficarmos em situação intelectual complicada e constrangedora. Abandonar o sentimentalismo falso e rasteiro, evitar os clichês e as frases de efeito, é imperativo para fazer o dever de casa: elaborar e validar a legislação de uso animal em experimentação científica, banindo para sempre os abusos cometidos por pares desprovidos de escrúpulos e consciência animal.
Legislação sim, fundamentalismo não!
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Novas aquisições
Meus caros,rapidamente quero citar dois novos e excelentes bens intelectuais e culturais que adquiri para minha modesta coleção psíquica.
Estou terminando de ler, talvez, a melhor obra não-literária em que já pus as mãos. Trata-se do livro "O Mundo Assombrado pelos Demônios", de Carl Sagan. Tenho que confessar que estou descobrindo esse cosmólogo, provavelmente, o mais brilhante divulgador da ciência da história do planeta, só agora, mais de 10 anos após a sua morte. A grande maioria o conhece pela série Cosmos (que estou querendo dar um jeito de assitir), mas essa é só a faceta mais popular do cientista. Ao que me parece, os livros são tão (ou mais) empolgantes do que suas aparições na telinha. Por isso, essa obra entra, definitivamente para a minha coleção de livros prediletos. Na verdade, essa coleção que vocês podem ver aí ao lado está definindo, de maneira bem sólida e talvez definitiva, o meu caminho para o ceticismo ateísta, bem consciente, raciocinado, livre e pleno. Mas esse é um tema para outra postagem.
No lado cultural, descobri outra web radio excepcional no site da Live 365!. Dessa vez o estilo é pop rock, mas só coisa boa. Imagine os grandes hits todos juntos de: R.E.M., U2, The Cure, Coldplay, Red Hot Chilli Peppers, Green Day, Counting Crows, Live, Lemmon Heads, Pearl Jam, Jack Johnson e muito mais. A rádio se chama Roo Radio e quem quiser dar uma olhadinha em amostras de play list, siga para:
http://rooradio.blogspot.com/
Aquele abraço!
terça-feira, 1 de abril de 2008
Março foi infernal
Março foi infernal. Como foi infernal. Foi um mês carregado de sobressaltos, sobressaltos ruins.
Comecei Março com o banco me cortando meu cheque especial. Devedor até as tampas como eu sabe a dor de cabeça que isso dá. Cortaram-me também a água do condomínio onde eu moro. Não por ter deixado de pagar, pois isso pago nos trinques. Quem não pagou foi o síndico, fugido, desaparecido, patético e surreal (golpe no condomínio, pelo amor de Deus!!!), deixando um calote de algumas dezenas de milhares de reais com a companhia de abastecimento de água e outros prestadores de serviço. Na verdade não cortaram, mas chegaram perto o suficiente para que fosse necessário reservar água em baldes, emprestar dinheiro ao condomínio para saldar a dívida e racionar água na área de lazer.
Nessa loucura despenca meu anjinho (minha filhinha de dois anos) com uma mononucleose infecciosa que lhe deixa com baço e fígado inchados, com risco de lesão e hemorragia interna. Resultado: quase três semanas fora da escolinha, além do incômodo de febres intermitentes, catarro, tosse e dores abdominais. Como tive que ficar com ela no horário da escolinha, durante todo esse tempo, a execução dos experimentos previstos em meu projeto se complicaram ao infinito, quase inviabilizando a sua conclusão. Aí já viu: lá se vão madrugadas em claro em cirurgias de implante de eletrodos e monitoração da eletrofisiologia de 24 horas.
Então, ela melhorou: maravilha! O médico a liberou para a escolinha para qual ela voltou essa semana, retornando ao porto seguro da rotina. Mas parecia que Março só esperava eu baixar a guarda para me pegar de novo na esquina. E pegou-me: minha tosse seca iniciada na semana anterior presenteia-me com o susto de catarro com sangue. Saldei às pressas as pendências do meu plano de saúde para descobrir uma sinusite, uma infecção pulmonar e suspeita adicional de pneumonia. E lá se vai mais uma grana com remédios... infernal.
Ah, quase ia me esquecendo: quase como um rodapé da demência de Março, trai-me um afeto por quem tanto fiz. Mas disso não quero e não vou falar. Só reforço que é óbvio que não se trata da mais companheira das maravilhosas mulheres da minha vida: minha esposa, cuja afeto, carinho, garra e companheirismo inspiraria avatares da conduta superior.
E hoje, quinta-feira, vou retornando do centro de radiologia tendo descoberto que, felizmente, pneumonia não há (terá sido a própolis diária?). Sinusite sim, há, plenamente incômoda. Vou voltando para casa e resolvo passar pela via costeira, que é uma bela avenida aqui em Natal que separa as praias de resorts do Parque das Dunas. Na rádio, toca uma balada incrivelmente tristonha e melancólica (eu sei que já ouvi essa voz em outra música: “I thought I would see you again”).
Resolvo parar para decidir no alto de um morro real, num cume metafórico: Natal não vai me quebrar. Há fibra suficiente aqui para agüentar. Ah, meus caros amigos, nada disse ainda sobre isso, mas Natal é ardilosa. É uma sacana princesa. Encanta-te com todas as curvas e gingas e, no meio ao místico instante no qual te atiras a ela de braços abertos, em meio a uma chegada mais quente, Natal te sacaneia e te trai com alguém mais abastado. Nem vos conto. Ou conto, mas só depois de amanhã (apud John, 2007).
De qualquer maneira, vou dobrar essa sacana. Vou até as vias de fato com essa gostosa princesa do nordeste, nem que tenha que lhe arrastar pelos cabelos. Sei que sou melhor que essa safada e os safados que lhe fazem o coito.
Aliás, descobri hoje, que meus experimentos conduzidos no meio do inferno trouxeram resultados empolgantes. Também acertei hoje meus ponteiros no banco, estando, agora, numa situação melhor do que antes. Há uma semana atrás preparei talvez, a minha melhor picanha para um casal de amigos valiosíssimos que me carregaram (e à minha família) no colo quando cheguei a Natal. Vou para casa agora, dar a meu corpo o que a alma já ganhou: um longo banho de água fresca.
Abraços!
Vinícius
terça-feira, 25 de março de 2008
Meu ótimo amigo Márcio
que saudades tenho do meu grande amigo Márcio. Ele está agora na Inglaterra fazendo o seu pós-doc no King's College de Londres - sorte dos ingleses. Levou com ele o seu anjo, essa mulher maravilhosa e respeitável, com a sabedoria de uma anciã no sorriso jovial e gracioso de uma moleca que é. Muito provavelmente por isso, seu nome é Grace.
Enfim, para aqueles que não sabem, Márcio foi meu orientador da iniciação científica ao doutorado. Mas ainda mais importante que isso, no escopo intricado do meu eu atual, esse meu grande amigo representou o bater da asa da borboleta em Guiné Bissau que culminou no maremoto que devastou a costa leste do Japão. Para que se tenha a correta noção da coisa, foi esse velho espírito que me apresentou a poesia que dá nome a esse blog. E nos 6 anos pós Frost, fiz, com ele, meu doutorado etílico, elíptico e paralelo em interpretação da estrada escolhida, ou não.
Meu velho, nunca me esquecerei de ti, jamais.
E pra dar uma descontraída nesse tom às vezes meio saudoso, deixo com vocês o meu novo vício: Think Twice da banda Ralph Myerz and The Jack Herren Band. Nikita e Casino, do mesmo álbum, também são espetaculares.
Até!
Vinícius
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Revolução
Eu acredito, do fundo do meu coração, que estamos vivendo momentos históricos. Não quero aqui entrar na querela de quem tem o mérito ou não, mas penso que nosso país está passando por uma transformação que acabou de se iniciar e vai terminar quando a política estiver toda renovada. Ou seja, leva algumas décadas, mas o Brasil vai prosperar (opinião minha).
Por outro lado, podemos estar vivenciando a passagem do bastão das grandes potências. Com os BRICs chegando a todo o vapor, os EUA amargam uma crise, até onde eu sei, gravíssima, que pode atingir o mesmo nível de caos que se passou no final da década de 20. Em particular, fiquei impressionado com a forma na qual os críticos da política norte-americana tem se referido a crise. Acompanho as críticas de um autor em especial, o Pat Oliphant, que destila seu veneno através de tirinhas editoriais publicadas nos principais jornais da América e também na Internet.
Vejam o seu último cartum, publicado hoje no site da Yahoo:
BUSH: ... AND THAT'S THE STATE OF THE UNION. THANK YOU.
PERSONAGEM IRÔNICO À ESQUERDA: HELLUVA (HELL OF A) JOB, BUSHIE
O resto do cartum fala por si mesmo. É, terminando o post bem clichê: quem viver verá!
Abraços!
Vinícius
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Economia mundial

segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Minha querida Beagá
vivo bem em Natal e cheio de saudades da minha amada Beagá, ondei nasci e passei dias espetaculares. De fato, alguns destes melhores dias foi em excepcionais butecos da capital mineira, como no dia em que eu tomei a pílula vermelha. O bar era o Novo Paladar e lá estavam o Márcio, o Léo Bonato e o Zé Elvano. A cerveja era a Bohemia e o tira-gosta era língua de boi ensopada (cigarro de palha Souza Paiol como digestório). Enfim, se quiserem saber mais sobre esta maravilhosa cidade e seus inesquecíveis butecos, dêem uma conferida na matéria que saiu no New York Times, localizada graças ao blog da Bárbara (http://barbaralafeta.multiply.com/journal) que eu, pessoalmente não conheço, mas que é amiga do grande Michel Weiberg.
http://travel.nytimes.com/2007/10/28/travel/28next.html?ref=travel
Aquele abraço!
Vinícius
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Sobre religião
sei que ando meio verborrágico e que cada post meu é um verdadeiro livro. Pois bem, vou ser breve dessa vez, vou falar sobre religião...
Hehe... o mais desavisado teria corrido pra longe desse blog. Mas calma, calma, não vou discutir religião no meu blog. Não mesmo. Sei o tanto que o tema é polêmico e como amigos podem virar inimigos frente a uma frase sobre o tema que não foi pensada 26 vezes antes de ser falada. Só queria postar uma tirinha de um quadrinho que leio na Internet, chamado Non Sequitur. É que eu achei essa tirinha simplesmente genial, captando a essência do discurso institucional religioso (não necessariamente o doutrinário, mas algumas vezes ele também) e mostrando a visão e o desejo do homem inteligente frente a isso tudo.
Para os que agarram no inglês, a tradução é a seguinte:
Apresentador: "Bem, obrigado por participarem do programa "Meu Dogma é Melhor que o seu", mas, mais uma vez, terminamos em empate."
Quadro à direita, abaixo: "O Reality-show que nunca termina".
Abraços!
Vai Corisco e vem Lampião...
Pois é, o ômi pediu arrego, mandou-se de licença de volta para as Alagoas. Nada contra essa terra linda (muito antes pelo contrário), mas já vai tarde Corisco, muito tarde. Aproveita e segue caminho até o inferno. Renan Corisco Canalheiros já estava até fedendo a enxofre na cadeira da presidência do senado. Já vai tarde e, por favor, não volte mais, porque nossas vassouras estão atrás de nossas portas. Já posso tirar o banner da campanha e colocar ele junto do post aqui, que é para a gente se lembrar. Por sinal, mesmo que seja meio difícil afirmar com certeza, acho que a campanha do sensacional Gabeira ajudou a botar pressão para rancar o cão Corisco do seu osso. Por isso, aproveito para deixar o meu parabéns a esse Deputado que representa a personificação do representante que todos gostaríamos de ter em um legislativo quase utópico.

E acho que o infeliz do Renan vai embora deixando mais alegria do que tristeza. Digo isso porque é difícil comemorar completamente porque a cadeira da presidência do senado continua sendo do PMDB, o histórico partido do inoxidável Ulysses Guimarães, que hoje está entregue ao pior tipo de político que existe nesses país (vide episódio da expulsão dos senadores Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon - vide também comentário de Lúcia Hipólito de 5 de outubro de 2007 na rádio CBN - http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/politica.asp).
A imprensa tem dito que o senador mais cogitado para substituir o Canalheiros é o Garibaldi Alves, aqui do Rio Grande do Norte. Pois é, parece ironia ou invenção, mas vocês se lembram da história que eu contei sobre o meu encontro com o senador Sarney (vide post "O Ex-presidente do presidente")? Em algum lugar eu disse que o senador tinha ligado do seu gabinete para cada um dos senadores pedindo voto a favor do Canalheiros na CCJ e depois comentei que ia contar como eu havia obtido essa informação (que depois a imprensa divulgou de forma mais mais ou menos irrestrita). Então, irônico que pareça, eu fiquei sabendo disso da boca do próprio senador Garibaldi Alves que também estava na fatídica noite do meu encontro com o Sarney. Essa é uma parte da história que eu ainda não contei e que vai agora no blog.
Pois é, na verdade, antes de nos sentarmos na mesa do restaurante, enquanto ainda esperávamos, o senador Garibaldi Alves chegou também ao restaurante. Minha mãe, que apreciou muito o seu discurso contra Renan no senado, às vesperas da votação na CCJ, foi cumprimentá-lo, sem saber que, na verdade, o Garibaldi estava ali para se encontrar com o Sarney.
Durante todo o tempo que ficamos no restaurante, eu fiquei meio intrigado com o fato de dois sujeitos de visão tão oposta se sentarem juntos em um jantar regado a vinho e camarão, dois dias após a absolvição do capeta (o cadáver da ética ainda nem tinha esfriado). Senti-me, mais uma vez, traído por um representante público, pois também eu fui apertar a mão do Garibaldi à entrada do restaurante. Pô, o cara que deu um brilhante discurso, lavando a alma da nação, contra aquele que é sabidamente um safado cinco estrelas da nossa política, senta-se para compartilhar bons momentos com o outro cara que fez de tudo para salvar a pele do Renan (de tudo mesmo: teve viagem para Minas, teve papo e participação ativa de lobista influente, teve ligação de jatinho, teve senadora virando garota de recado e muito mais que a gente nem imagina)!? Alguém poderia argumentar, mas política é uma coisa e relacionamento pessoal é outra. Olha, sei não, pode até ser, mas me parece que ser pró ou contra Renan é quase uma questão de moral.
Bom, seja Grécia ou seja Tróia, quem leu a história sabe que no dia eu estava meio sem limites. Depois que o Sarney se mandou de fininho (e ele se mandou de fininho).. eu fui... hehe... aliás, essa história do fininho também é legal, e dá pra ver como político é malandro. Vou contar rapidinho. Depois de eu ter botado o dedo no nariz do Sarney, ele percebeu que o clima no restaurante estava meio hostil. As mesas vizinhas à nossa haviam escutado o meu desaforo, havia um cara passando de mesa em mesa para puxar uma vaia contra o senador, e pessoal discutindo exasperadamente a sacanagem da absolvição e outras coisas mais. Imagino que o Sarney tenha percebido aquilo tudo e tenha ficado com receio de ser vaiado em público. Pois bem, a uma certa altura do jantar, levanta o Garibaldi e mais umas duas ou três pessoas e este senador se vira para a minha mãe e pergunta, mui polidamente: "E então, como está o jantar?" E começa a falar de umas trivialidades do tipo "A comida aqui é muito boa, Natal é uma cidade boa para se morar, etc. etc.". Aí a minha mãe falou do Instituto, que eu sou pesquisador, que eu trabalhava lá e que o governo devia investir mais em ciência e tecnologia e blah, blah, blah... Enfim, assim como do nada ele começou a conversa, do nada ele a terminou e voltou a se sentar na sua cadeira. Então se deu a mágica: tcham, tcham, tcham, tcham!!! Cadê o Sarney!!! Ohhhhhh! Ele sumiu!!!!! Nada nessa manga, nem nessa outra, os meus dedos é que são mais rápidos que o olho humano... (aliás, a prestidigitação avançada é uma habilidade bastante comum entre nossos políticos. Eles roubam e ninguém vê, pricipalmente o Lula, espectador do Brasil). Pois é, o homem tinha desaparecido, a moda Mestre dos Magos, numa manobra planejada e executada a várias mãos. Nisso essa turma é muito boa.
Enfim, voltando para a história principal. Depois disso tudo, de dedo no nariz do Sarney, da mágica do Garibaldi fazendo o Sarney sumir e daquela confusão na minha cabeça, a turma dos políticos resolveu encerrar o jantar, antes de terminarnos o nosso. Como eu já havia dito, eu estava bem soltinho naquele dia. Decidi, então, interpelar o Garibaldi sobre aquela aparente contradição e foi o que fiz. Fui até a mesa dele e perguntei mais ou menos assim: "- Poxa Garibaldi, de coração, me ensina sobre a política que eu quero aprender como é que isso funciona" - massagem no provável enorme ego. "Apenas dois dias depois daquele discurso todo, contra o Renan, o senhor vem aqui e senta ao lado do grande articulador da absolvição do Renan pra comemorar sei lá o quê!? Isso não é meio incoerente não?"
Bom, a resposta que ele me deu (não guardei bem as palavras), foi de que aquele momento nada tinha a ver com política. Sarney estava na cidade para lançar um livro novo (até a essa altura eu não sabia disso) e que ele era um antigo amigo da família Alves, pela qual muito tinha feito (fico imaginando que tipo de benefício que rolou), que eles todos eram muito gratos a ele e etc. e tal. Ele contou com uma certa riqueza de detalhes que o Sarney ligou para o gabinete dele e pediu que ele (o Garibaldi) fosse até o seu escritório, pois tinham que conversar. O Garibaldi, macaco véio, respondeu por telefone que não ia, que era pra não ficar chato entre eles, que já tinha decidido e ia mesmo votar contra o Renan. O Sarney aceitou. Depois, no dia seguinte, minutos antes da votação, a Roseana teria ido ao escritório do Garibaldi, numa nova tentativa, sem sucesso também, de conseguir o voto do Garibaldi. Aliás, um detalhe: se a votação secreta dificulta conhecermos as verdadeiras intenções e atuações de nossos representantes, que fiquem registrados dois votos certos pró-Renan: Sarney e Roseana. De qualquer maneira, a impressão que eu tive do Garibaldi foi um equilíbrio esquisito de consolo e desgosto. Não só pelo posicionamento no mínimo intrigante, talvez dúbio, mas, sobretudo, por um aspecto que ignorei por toda a minha vida de eleitor: a postura pessoal presencial (talvez por nunca ter tido chance). E nesse quesito, tive desgosto. Um sujeito meio pachorrento, de fala mole, meio enrolada, um tanto de cima pra baixo, recheada de reticências e sem a substância esperada.
Enfim, a resposta dele me convenceu naquela hora, ainda que com certa ressalva. Hoje eu me indago sobre esse senador, o Garibaldi Alves. Se ele é o cara da energia e da coerência do discurso contra o Renan, ou se é mais um velho coronel da política, macaco velhíssimo, beneficiário do modus operandi da riqueza e do poder, cheio de artimanhas, conluios e armações. Sei não. E é por isso que dei o título que dei a esse post. Sai o Corisco da campanha do Gabeira e entra o Lampião, que é bandido e herói ao mesmo tempo. É herói principalmente aqui no nordeste. Pode ser que seja, pode ser que não seja e é a história que vai mostrar a que vem o Garibaldi. Acho que pior que Renan é difícil... será? Enfim, vamos ver...
Ah! Quase um P.S.: ando cercado de política e de políticos. Parece que Brasília veio para Natal. Despedindo-me de meus pais no aeroporto e, naturalmente, aguardando horas pelo vôo atrasado, quem é que surge no saguão do aeroporto? O senador Cristóvão Buarque. Olha, prestando atenção no quesito postura pessoal, esse sujeito atrai o meu voto (ainda que sem certezas absolutas). Parou para cumprimentar todos que o interpelaram, sem seguranças ou puxa-sacos ao redor, dando atenção e trantando as pessoal com olhar horizontal. Gostei... quem sabe o que vai rolar em 2010?
P.S.2: mais ou menos umas duas semanas após essa história toda, o Garibaldi Alves aparece na TV, não sei se em rede local ou nacional, fazendo propaganda política do PMDB e conclamando cidadãos para se filiarem ao partido. O interessante é que ele começa a fala dele mais ou menos assim: "Nós sabemos que a juventude anda desiludida com a política atual, mas nós precisamos da força do jovem no nosso partido!" Será que ele estava me convidando a fazer parte do partido dele? Hehehe!!!
Aquele forte abraço!
Vinícius
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Web engajada
não tenho dúvidas que a grande maioria de nós, navegantes virtuais pela supervia da informação, fica indignada com toda e cada notícia de crueldade que ocorre mundo afora. Quem não fica comovido com as crianças etíopes que morrem de fome por absoluto abandono do resto do planeta? Quem não se entristece ao ler que dia após dia a ganância do homem consome o planeta como se fosse um glutão frente a um banquete? Quantos não se revoltam com os maus tratos às mulheres que é prática comum em algumas culturas? Quem não se enfurece com a nossa política e quem não fica desesperado ao saber que há governos ditatoriais que furtam toda a liberdade de cidadãos ao redor do mundo, em função da manutenção do poder tirano?
Pois é, eu também fico e, na maioria das vezes, copio a atitude de todo mundo mais: vocifero revolta, faço cara de horror, remexo-me na minha cadeira e depois vou buscar mais café para terminar de ler os emails. É pão e circo meus caros, pão e circo. Apesar de pagar impostos aviltantes, ainda tenho pão e circo que me amarram à minha confortável cadeira de escritório.
Por outro lado, considero-me um pouco mais engajado do que o brasileiro médio (não vou falar disso agora, pois detesto auto-promoção, quem quiser que me pergunte depois), ainda que esteja a anos-luz de distância de ser um avatar do engajamento sócio-político mundial. É que, além de algumas quase simbólicas atitudes diárias pró planeta, tornei-me recentemente um assíduo contribuidor assinante de um grupo da web de engajamento político com ampla atuação e considerável influência sobre organizações decisórias das políticas internaiconais. É desse grupo que quero falar hoje.
Trata-se da Avaaz, um grupo de ativismo político e ecológico, formado por cidadãos engajados de todo mundo e reunidos pela maravilha da Internet. Basicamente, o que o grupo faz é divulgar os alvos de seu ativismo, recolher assinaturas e fundos e, de posse desses intrumentos, pressionar dirigentes para que tomem atitudes que vão ao encontro dos pensamentos da organização. Estes, por sua vez, representam a opinião pública global, recheados do bom senso de alguns intelectuais da organização.
Nunca doei dinheiro (trauma tupiniquim, talvez), mas assinei digitalmente todas as campanhas lideradas pela Avaaz, sobretudo por estar totalmente de acordo com os posicionamentos de seus organizadores, que sempre me soaram muitíssimo sensatos. Ainda que não tenha a disposição de ir direto para o front do ativismo, como me associar a uma ONG largando tudo para trás no Brasil, acho que faço um pedaço da minha parte cada vez que clico no botão do site da Avaaz. E por isso recomendo a todos conhecer o trabalho dessa turma. Basta acessar o site http://www.avaaz.org/ .
O objeto atual do ativismo da Avaaz são os protestos pró democracia realizado pelos monges de Mianmar (antiga Birmânia) e fortemente reprimidos pelo governo ditatorial do país. A foto abaixo, plubicado no site do G1, fonte Reuters, mostra os monges enfretando as forças militares em seu protesto. Lembro que essa foto é uma conquista, pois o governo agora controla a Internet de Mianmar e dificultou muito o trabalho dos jornalistas no país.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007
O ex-presidente do presidente
como alguns de vocês devem saber, eu sou uma pessoa que se interessa por política. Gosto de a ler e a discutir e, apesar de estar muito longe de ser um expert na área, acho que sou capaz de conversar e entender o tema com razoável propriedade. Felizmente ou não, tenho a forte característica de passionalidade pelo assunto. Ou seja, mais do que racionalizar a política eu a sofro, intensamente. Portanto, é evidente, mesmo para o mais leigo no tema, que meu coração brasileiro tem padecido horrores nestes últimos dias.
Entretanto, apenas dois dias após a absolvição do Renan Canalheiros no senado, essa situação se reverteu, pelo menos um pouco. E essa história eu gostaria de contar aqui.
Nesse mês de setembro, os meus familiares vieram de Belo Horizonte para me visitar em Natal. Eu, como bom anfitrião, resolvi levá-los no que há de melhor em termos de camarão na cidade, que é o restaurante com o nome do bicho, o Camarões, ali a beira-mar em Ponta Negra. O restaurante estava cheio e para agilizar a mesa, deixei o pessoal na fila enquanto fui estacionar o carro. Percebi uma movimentação diferente na rua. Estava mais cheia de carros e pessoas. Um pessoal diferente circulando, parecendo seguranças e escoltas. Enfim, pensei estar imaginando coisas e deixei pra lá.
Foi no reencontro com a minha família, no belo e lotado saguão do Camarões que eu entendi o porque do rebuliço: vossa excelência ex-presidente da república, o senador José Sarney (PMDB-AP) havia acabado de entrar no restaurante. Naturalmente, ele foi imediatamente acomodado na mesa, sem ter que esperar junto aos comuns. Então, fiquei sabendo que ele estava na cidade para fazer o lançamento do seu último livro. Acontece que o Sarney foi o grande articulador no senado para que seus pares votassem absolvendo o presidente da casa, Renan Canalheiros. Este fisiológico senador, pelo que fiquei sabendo (depois lhes conto como), ligou de seu gabinete para cada senador da casa solicitando conversas particulares afim de convecê-los a votar a favor de Renan.
Pois bem, já me encontrava furioso com o episódio sacana da absolvição do Renan no senado dois dias atrás e havia acabado de perder a minha vaga na rua para um segurança Bad Boy (que vim a descobrir que era da turma dos políticos) que pilotava uma pick-up modelo nunca-conseguirei-comprar. Quando fiquei sabendo que homem estava na casa, como diria um bom e antigo amigo, meu sangue talhou. É a paixão, eu sei, vou acabar morrendo disso. Mas talhou e me fez querer ir até a mesa daquele senhor e botar pra fora anos de mágoa com a política.
Creiam meus amigos, no atual nível de indignação em que me encontro, eu faria isso, até o ponto de me atracar com os seguranças. Pois ainda que a não violência me seja sagrada, não tenho certeza se permaneceria nas palavras de alto-calão. Mas, as minhas rédeas conversavam ao meu lado, bebendo cerveja. Era o dia da minha família que, apesar de compartilhar mais ou menos da minha indignação, queria se divertir, sem que a situação ganhasse a valência emocial que eu a atribuía. Conformei-me em mais uma vez represar a minha voz e perder a oportunidade única de me manifestar, implodindo o setor político do coração, mesmo que com muita dor.
Mas assim como os garçons serviam as bebidas, a vida me brindava com ironia, pois não é que fomos encaminhados para mesa imediatamente ao lado da do senador!? Após me sentar, levei alguns minutos para me perceber que o referido senhor Sarney estava ali, há poucos metros de mim, ao perfeito alcance de uma tão desejada ovada. Enfim, fiquei remexendo os escombros da implosão tentando apagar o incêndio e começar a sorrir para a minha esposa.
A mesa do senador estava lotada e como todo bom Godfather, a renca de puxa-sacos não parava de chegar. Nós, por outro lado, contávamos com uma mesa praticamente vazia para acomodarmos não mais que bolsas e garrafas de cerveja vazias.
Aí oportunidade serviu-me o prato principal do dia. A pedido do senador, que a essa hora já estava em pé conversando com os recém chegados, e sob seu olhar inspetor, o garçom se dirige a mim e mui polidamente me solicita a mesa para que os convidados do político pudessem se acomodar. Mas nem que eu tivesse sangue de barata e a ocasião se faria vazia e negligente. Mas nem que sugassem de mim todos os meus neurônios eu ficaria calado. Minha indignação já é reflexo medular. Mirando com ódio aqueles olhos pachorrentos caídos logo acima do bigode seboso, pus o dedo e riste e proferi - ah maldita polidez que não me deixou ir além:
- Divido a mesa sim, mas que saibam vocês que não é por conta desse senhor que aí está, pois que com ele estou muitíssimo irritado. Faço isso pelos familiares e amigos dele, que nada tenho contra, mas nunca por conta desse senhor. Pode levar!
O garçom, esse nobre brasileiro, ficou meio apetatado, porque nunca esperaria essa reação. Ainda assim cumpriu dignamente a sua função de servir a todos. O senador Sarney, que por uma obra feliz do destino (pelo menos para mim) escutou com olhos e ouvidos atentos cada palavra que eu dizia, limitou-se a balançar a cabeça num gesto de concordância, permancendo calado. Os seus convidados se agitaram. Meus familiares vibraram ou se constrageram, minha neném chorou e esses dois últimos incêndios levei algum tempo para apagar.
Mas o coração se reconstruiu e a vontade política se refez. No popular: lavei a alma. Não tenho a menor idéia se o episódio vai fazer alguma diferença em como o Sarney faz a sua política. Na verdade, parece-me meio óbvio que não. E mesmo que fizesse, o problema do Brasil não se resolve com Sarney e nem mesmo com o Renan sendo cataputaldos para Plutão. Apesar de ser um começo, o problema é bem mais intenso e complexo e passa, na minha opinião, por uma reformulação completa dos valores da nossa sociedade. Entretanto, tenho a impressão, talvez demasiada inocente, de que eu incomodei o senador. E tal como no efeito borboleta, esse pequeno ato pode, talvez, fazer toda a diferença.
Mas isso não importa tanto quanto o fato de que eu expressei ao menos uma indignação que foi registrada. Se isso ficar mais comum entre os indignados, talvez cheguemos a uma massa crítica capaz de mudanças de fato. Por outro lado é importante que a crítica seja refletida e bastante consciente, sem ser moldada pela mídia da oposição (ou o detestável adjetivo "golpista") ou pela mídia chapa branca.
Meu entendimento, no final das contas, é que o país se beneficiará com o Renan cassado ou, no mínimo fora da presidência do senado. Portanto, aproveito o ensejo da história e da opinião e vou aderir a campanha idealizada pelo Fernando Gabeira: "Se entrega, Corisco", numa inteligente referência ao cangaceiro apadrinhado por Lampião. Ali em cima já coloquei o banner da campanha. Quem quiser saber mais: http://www.gabeira.com.br/.
Então é isso, um forte abraço brasileiro a todos!
Tomorrow Jazz
faz um tempo que eu não passo por aqui para atualizar esse blog. Acreditem, eu que sofro mais por causa disso. Na verdade, essas últimas semanas desde a última postagem tem acontecido tanta coisa que faltou tempo de logar e escrever para vocês (ou para mim mesmo). Roulou muita coisa por aqui, ainda mais com a visita da minha família e a da minha esposa. Tem dedo na cara de senador, tem apnéia em Maracajaú e surfe em Cotovelo, tem protesto contra o Renan e bem mais. Portanto fiquem ligados que nos próximos dias vou postar bastante coisa por aqui.
Por enquanto, deixo vocês com uma sugestão de genuíno e sublimado prazer musical para quem gosta de escutar um som enquanto trabalha. É simples: basta acessar o web radio Live365 (http://www.live365.com/) e lá buscar a estação Tomorrow Jazz.
Pra quem curte um lounge, acid jazz, nu jazz, jazztronica, chill, a estação Tomorrow Jazz é excepcional! Recomendo também a aquisição do VIP Package, que é a versão paga da subscrição, que te permite ouvir a rádio sem comerciais e interrupções. E acreditem, eu não estou ganhando nada do site, viu!? Hehehe...
Um abraço!
Vinícius
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
O blog e seus recursos

terça-feira, 14 de agosto de 2007
The road not taken
Um forte abraço!

The Road Not Taken - Robert Frost (1920)
TWO roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
Breve introdução