II LAWCN 2019

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Curso de Eletrofisiologia na 3a Semana de Neurociências da UFMG: imperdível

Pessoal,

Ainda há vagas para o curso de eletrofisiologia na 3a Semana de Neurociências da UFMG que antecede o congresso da SBNeC, contando com nomes de reconhecimento internacional como os doutores Fernando Lopes da Silva e Stiliyan Kalitzin. Vejam a programação das aulas:

09/09/13
08h - 12h 
Aula 1 - Bioeletrogênese: registros intracelulares, extracelulares, potenciais de campo, registros multiunitários (Daniel Medeiros);
Aula 2 - Práticas demonstrativas em Placa de Petri: estimulação e potenciais de ponta (Daniel Medeiros)
10/09/13
08h - 12h 
Aula 3 - Montagem de um set-up para aquisição de dados eletrofisiológicos (Vinícius Cota);
Aula 4 - Práticas demonstrativas em computador: técnicas de filtragem de sinal, processamento e digitalização (Márcio Moraes)
11/09/13
8h - 12h 
Aula 5 - Análise de sinal (Stiliyan Kalitzin);
Aula 6 - Epilepsia como um processo dinâmico (Fernando Lopes da Silva)

O link para se inscrever é esse aqui:

Eu, que também vou dar aula no curso, vou pedir para assistir também, porque, na minha opinião, aprender Eletrofisiologia e Epilepsia com esse pessoal é imperdível.



Até lá.
VRC

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sobre homossexualismo e ativismo gay

O texto que copio abaixo é um dos melhores que eu encontrei na Internet. Ele é atribuído ao Dr. Dráuzio Varela, mas não tenho certeza se isso procede. De qualquer maneira, não importa. O que importa é que o conteúdo é muito bom.


DR. DRAUZIO VARELLA - HOMOSSEXUALIDADE

A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).
Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?
Se a homossexualidade fosse apenas perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de espécies de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em virtualmente todas as espécies de pássaros, em alguma fase da vida, ocorrem interações homossexuais que envolvem contato genital, que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual envolvendo fêmeas e machos foi documentado em pelo menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal fazem parte do repertório sexual de todos os primatas não humanos já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas rigorosas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles.

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?

segunda-feira, 25 de março de 2013

Do blog da SBNeC: Depressão na Pós-Graduação e Pós-doutorado


O que fazer com os estudantes e cientistas que não conseguem estudar e pesquisar?

Sergio Arthuro (1)

A imagem de nós cientistas no senso comum, como estereotipada por Einstein, é que somos meio loucos. De fato, como revelado recentemente pela revista Nature, parece que realmente não temos uma boa saúde mental, dada a alta ocorrência de depressão entre pós-graduandos e pós-doutorandos.

Os pós-graduandos são os estudantes de mestrado e de doutorado, enquanto os pós-doutorandos são os recém doutores em aperfeiçoamento, que ainda não conseguiram um emprego estável. Os pós-doutorandos são comuns há muito tempo nos laboratórios da Europa e dos Estados Unidos, já no Brasil este é um fenômeno recente.

Segundo o texto, boa parte dos estudantes de pós-graduação que desenvolvem depressão foram ótimos estudantes na graduação. Lauren, doutoranda em química na Universidade do Reino Unido, começou com dificuldade em focar nas atividades acadêmicas, evoluiu com medo de apresentar a própria pesquisa, e terminou sem nem mesmo conseguir sair da cama. Felizmente, Lauren buscou ajuda e agora está terminando o seu doutorado, tendo seu caso relatado no site de ajuda Students Against Depression, cujo objetivo é “desenvolver a consciência de que a depressão não é uma falha pessoal ou uma fraqueza, mas sim uma condição séria que requer tratamento”, segundo a psicóloga Denise Meyer, que ajudou no desenvolvimento do site.

Para os cientistas em início de carreira, a competição no meio acadêmico pode levar a isolamento, ansiedade e insônia, que podem gerar depressão. Esta pode ser acentuada se o estudante de pós-graduação tiver problemas extracurriculares e/ou com seu orientador. Já que a depressão altera significativamente a capacidade de fazer julgamento racional, o deprimido perde a capacidade de se reconhecer como tal. Aqui, na minha opinião, o orientador tem um papel fundamental, mas que na prática não tenho observado muito: não se preocupar apenas com os resultados dos experimentos, mas também com a pessoa do estudante.

De acordo com o texto, os principais sinais de depressão são: a) inabilidade de assistir as aulas e/ou fazer pesquisa, b) dificuldade de concentração, c) diminuição da motivação, d) aumento da irritabilidade, e) mudança no apetite, f) dificuldades de interação social, g) problemas no sono, como dificuldade para dormir, insônia ou sono não restaurativo (a pessoa dorme muito mas acorda cansada e tem sono durante o dia).

Segundo o texto, a maioria das universidades não tem um serviço que possa ajudar os estudantes de pós-graduação. Não obstante, formas alternativas se mostraram relativamente eficazes. Por exemplo, mestrandos e doutorandos poderiam procurar ajuda em serviços oferecidos a alunos de graduação; já os pós-doutorandos poderiam tentar ajuda em serviços oferecidos a professores, sugerem os autores do texto. A maioria dos tratamentos requer apenas uma sessão em que são discutidas as dificuldades dos estudantes, além de sugestões de como manejar melhor a depressão. Uma das principais preocupações é com relação à confidencialidade, que deve ser quebrada apenas se o profissional sentir que o paciente tem chance iminente de ferir a si ou a outrem. Segundo Sharon Milgram, diretora do setor de treinamento e educação do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, “buscar ajuda é um sinal de força, e não de fraqueza”.

Devo admitir que o texto chamou minha atenção por me identificar com o tema, tanto na minha própria experiência, quanto na de vários colegas de pós-graduação que também enfrentaram problemas semelhantes. Acho que o sistema atual de pós-graduação tem falhas que podem aumentar os casos de depressão, como as descritas a seguir:

1- O próprio nome “Defesa” no caso do doutorado

Tem coisa mais agressiva que isso? Defesa pressupõe ataque, é isso mesmo que queremos? Algumas pessoas vão dizer que os ataques são às ideias e não às pessoas. Acho que isso acontece apenas no mundo ideal, porque na prática o limite entre as ideias e as pessoas que tiveram as ideias é muito tênue. Mas pior é nos países de língua espanhola, pois lá a banca é chamada de “tribunal”.

2- Avaliações pouco frequentes

Em vários casos, principalmente no começo do projeto, as avaliações são pouco frequentes, o que faz com que o desespero fique todo para o final. No meu caso, os últimos meses antes da “Defesa” foram os piores da minha vida, pois tive bastante insônia, vontade de desistir de tudo etc. Pior também foi ouvir das pessoas que poderiam me ajudar que aquilo era “normal” e que “fazia parte do processo”… Isso não aconteceu apenas comigo, mas com vários colegas de pós-graduação. Acho que para fazer ciência bem feita, como todo trabalho, tem que ser prazeroso, e acredito que avaliações mais frequentes podem evitar o estresse ao final do trabalho.

3 – Prazos pouco flexíveis

Cada vez mais me é claro que a ciência não é linear, e previsões geralmente são equivocadas. Dessa forma, acredito que não deveria haver nem mestrado nem doutorado com prazo fixo. O pós-graduando deveria ter bolsa por 5 anos para desenvolver sua pesquisa, e a cada ano elaboraria um relatório sobre suas atividades e resultados. Uma comissão deveria julgar esse relatório para ver se o estudante merece continuar. Como cada caso é um caso, em alguns casos, dois anos já seriam suficiente para ter um resultado que possa ser publicado num jornal científico de reputação. Isso daria ao cientista a possibilidade de bolsa por mais 5 anos, por exemplo, para ele continuar sua pesquisa. Em outros casos, 5 anos de trabalho não é suficiente, o que pode ser por causa da própria complexidade da pesquisa, ou outros motivos como atraso na importação de material etc. Nesse caso, acho que o estudante deveria ter pelo menos mais 3 anos de tolerância para poder concluir sua pesquisa, caso os relatórios anuais sejam aprovados, e o estudante comprove que não é por sua culpa que a pesquisa está demorando mais que o previsto.

Senti falta no texto uma discussão com relação ao fato de que para os futuros cientistas que ainda não tem um emprego definitivo, a ausência de estabilidade financeira é também um fator que contribui para o estado de humor dessa classe tão específica e especial de seres humanos.

(1) Médico, doutor em Psicobiologia e Divulgador Científico

Sugestão de Leitura

Gewin, V. (2012) Under a cloud: Depression is rife among graduate students and postdocs. Universities are working to get them the help they need. Nature 490, 299-301.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Do Estadão: Puxadinho sem fronteiras

Não sou de republicar notícias do Estadão, mas com essa aqui eu concordo plenamente. O original foi publicado em 06 de março de 2013 e pode ser encontrado no link: 

====


Com menos de dois anos, o programa Ciência sem Fronteiras, uma iniciativa acertada do governo federal, já começa a mostrar sinais de que está contaminado pela cultura do "puxadinho", que tão bem tem caracterizado a administração da presidente Dilma Rousseff.

O Ciência sem Fronteiras tem como objetivo internacionalizar o ensino superior no País, por meio da concessão de bolsas de estudo em universidades competitivas no exterior. A intenção, alardeia o governo, é "investir na formação de pessoal altamente qualificado nas competências e habilidades necessárias para o avanço da sociedade do conhecimento". Ainda se espera que esse objetivo seja alcançado, porque esse é um dos fatores dos quais depende o pleno desenvolvimento do Brasil, mas multiplicam-se evidências de que, por trás do palavrório repleto de boas intenções e metas ousadas, viceja a conhecida inépcia da administração lulopetista.

Um exemplo escandaloso disso é a decisão do governo de diminuir a exigência de conhecimento de alemão, francês, inglês e italiano para seleção de bolsistas, de modo que os candidatos com nenhum domínio desses idiomas poderão participar do programa. Com a medida, o governo pretende conseguir cumprir sua promessa de enviar 101 mil bolsistas ao exterior até 2015 - até agora, graças em grande parte ao obstáculo do idioma, apenas 22% dessa meta foi atingida. O governo oferecerá aulas intensivas de idiomas, de até dois meses, para tentar compensar a deficiência dos candidatos, mas especialistas salientam que isso não basta, já que os cursos na área tecnológica, principal foco do programa, exigem pleno domínio da língua em que são dados. Em dois meses, é improvável que os bolsistas possam atingir esse nível de proficiência. O governo reduziu a tal ponto a exigência de domínio do inglês que, no caso da seleção de alunos dos Institutos Federais de Educação Tecnológica e das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) para estudar nos Estados Unidos, o candidato ganhará a vaga mesmo se não conseguir manter uma conversação básica. Não é possível imaginar que um bolsista com essas credenciais consiga ser bem-sucedido nas melhores universidades americanas e europeias.

Ante a evidente limitação de muitos candidatos, vários deles têm optado por concorrer a bolsas para estudar em Portugal, para driblar o obstáculo da língua. O problema é que a maioria dos bolsistas optou por universidades portuguesas que são consideradas mais fracas que as brasileiras, apesar do Ciência sem Fronteiras propagandear que tem convênios com "as melhores universidades do mundo". Um desses estudantes, ouvido pelo Estado (5/3), disse que o importante não era o curso em si, mas o "contato com a cultura europeia" - uma espécie de turismo à custa dos cofres públicos.

Para tentar contornar o problema, a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes) ofereceu a esses alunos em Portugal a oportunidade de estudar nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e em outros países com universidades de ponta - sem necessidade de passar por teste de proficiência.

A precariedade do Ciência sem Fronteiras não é uma novidade. Entre 2011 e 2012, muitos dos estudantes enviados ao exterior receberam da ajuda prometida apenas a passagem aérea, e ficaram um bom tempo sem dinheiro para pagar o aluguel, a alimentação, os livros, o plano de saúde e o transporte.

Essa situação constrangedora é mais uma a revelar as práticas de um governo que precisa produzir continuamente números vistosos para alimentar seus slogans eleitoreiros, enquanto faz remendos grosseiros para esconder a fragilidade de suas alegadas conquistas.

Não se esperava que um programa com essa magnitude fosse isento de problemas e contratempos. No entanto, é notável que, na cartilha da administração petista, quando se trata de corrigir falhas e rumos, recorre-se, como regra, ao improviso. Enquanto isso, o Ciência sem Fronteiras, numa flagrante contradição em termos, seguirá formando esforçados monoglotas.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

E não é que Corisco voltou? Impeachment no Renan

Caros,

Em sendo funcionário público de universidade federal do interior do Brasil, em particular na terra de Tancredo Neves, já passei por situações em quantidade suficiente para amadurecer politicamente, compreender melhor os mecanismos da máquina governamental e perceber que hoje não se governa sem alianças políticas fortes, mesmo com aquelas com as quais não nos alinhamos ideologicamente, ou mesmo moralmente.

Hoje, portanto, compreendo e aceito com maior naturalidade que nossa vice-presidência esteja na mão da máfia PMDBista (não estou dizendo que gosto). Não sei se fora realmente necessário alianças com extremo detestável da nossa política, tal como se deu nas últimas eleições para a prefeitura de São Paulo (apesar que, ao que parece, deu certo). De qualquer maneira, a oposição obtusa e o isolamento ideológico, por mais puros que sejam, não funciona. É preciso combater o poder corrupto pelas beiradas, muitas vezes dando espaço a ele; bater de frente é suicídio.

Agora, Renan Calheiros de volta como presidente do senado já não dá. É demais para qualquer um com um mínimo de inteligência. É tratar a população como lixo subserviente e alienado. É negar ao indivíduo minimamente politizado qualquer sentimento de dignidade. É afirmar com toda a ênfase possível de que o povo é um mero detalhe nesse país. 

Vou dizer mais. Por mais que eu não seja um Dilmista, muito menos um PTista (apesar que a primeira tem subido no meu conceito), sou capaz de imaginar que a presidente deve lamentar profundamente o resultado das últimas eleições para presidência do senado. Lamenta, inclusive, não poder interferir, pois seria rapidamente imputada a ingerência do executivo no legislativo. 

Assim sendo, acho que temos uma nova e boa oportunidade para sermos ouvidos, trabalhando por retirar o Canalheiros da cadeira que tem o formato de seu traseiro. Apoio às campanhas pela Internet e divulgo aqui o link para petição no website da Avaaz:


Além disso, aproveito para deixar linkado um post neste blog, que relata meu encontro com o Sarney, na época da última absolvição do Canalheiros:


Indignado, mas percebendo uma mui sutil mudança no comportamento do brasileiro. Quem sabe um dia nossa indignação não gera alguma mudança? Acho que devemos continuar tentando.

Abraços!
V

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Paulo Metri decifra o enigma dos leilões de petróleo - artigo no Viomundo


Este artigo foi originalmente publicado no blog Viomundo, no dia 29 de janeiro de 2013. Este é o link:

Todo mundo sabe que eu não gosto muito do Lula (é meio óbvio que o autor fala no texto abrixo como se fosse o Lula). Mas eu gostei bastante desse artigo porque escancara as coisas como na verdade são. O poder de um presidente é mais limitado do que se imagina. Veja a briga que a Dilma está enfrente na questão das tarifas de energia elétrica. Aliás, a presidenta está me surpreendendo (positivamente) e hoje eu entendo melhor a razão do PMDB na vice-presidência.

Enfim, vamos ao artigo.

Não me decifraste e estás sendo devorado

por Paulo Metri*, no Correio da Cidadania

“Cheguei ao poder com grande apoio popular, graças ao discurso de luta por uma vida melhor para todos, mas também a acordos com os setores mais retrógrados da nossa sociedade. A ‘Carta aos brasileiros’, enigmática ao cidadão comum, representou um recado bem entendido pela elite. Depois de três tentativas frustradas para chegar à presidência, apreendi que as mudanças no Brasil, país com a mídia dominada, têm que ser parcimoniosas. Quase como tendo que haver consentimentos dos que dominam a sociedade.”

“Nunca fui um revolucionário por várias razões. Em primeiro lugar, porque minha natureza é a de um negociador e nunca foi a de um guerreiro, na acepção primeira da palavra. Em seguida, porque o povo, com o presente grau de percepção, não quer uma revolução. Creio até que, mesmo com alto grau de compreensão do mundo, ele também não irá querer. Finalmente, não pode ser esquecido que muitos dos revolucionários têm morte prematura.”

“Contudo, mesmo reformista, orgulho-me em dizer que, durante meu governo, persegui à risca meu discurso de campanha e trouxe uma vida melhor para dezenas de milhões de irmãos. No que era básico para mim, não fraquejei em nenhum instante. Sei que tive erros, praticados consciente ou involuntariamente. Quando errei conscientemente, tenham certeza que estava cedendo a alguma pressão que, se negada, poderia fazer fracassar, por exemplo, todo o projeto de inclusão social em curso.”

“Troquei opções sem correlação alguma, mas que o momento as transformava em moedas de troca. Sem corresponder à realidade, só para ajudar o entendimento, me deparava com dilemas do tipo: receber apoio da bancada secreta e poderosa dos banqueiros a uma política externa independente em troca do atendimento aos interesses pecuniários deles. A capacidade de mobilização deles no Congresso só é comparável à da bancada ruralista. Assim, reconheço que existiram setores cujos desempenhos deixaram a desejar. Não avancei muito na reforma agrária, por exemplo, o que me deixa frustrado.”

“Aprendi com muitos dos que estavam ao meu lado, mas o ministro das Relações Exteriores do meu governo tem um crédito especial comigo. Resumiria o que aprendi com ele, desta forma: ‘não se é grande em nível internacional, se não se imagina grande, não se planeja para ser grande e não se age de forma grandiosa’. Hoje, creio que abri muito a guarda na entrega do petróleo nacional, a menos de quando retirei 41 blocos do Pré-sal da nona rodada. Falo das rodadas de leilões do nosso petróleo. Segundo o ensinamento aprendido, entregar petróleo sem quase nenhum usufruto para a sociedade não corresponde a ‘agir de forma grandiosa’. Mas, só fiquei consciente deste fato quando o término do meu governo estava próximo.”

“Têm instantes que tenho vontade de dizer à minha sucessora: ‘Não faça isto!’ Digo isso com relação à décima primeira rodada, que foi recentemente aprovada por ela. Ainda mais que querem agora ofertar, também nesta rodada, além dos blocos inicialmente previstos, aqueles oriundos da fracassada oitava rodada. O objetivo escamoteado é diminuir por asfixia financeira a participação da Petrobras nas futuras concessões. Assim, mais blocos serão destinados às empresas estrangeiras ainda sob a lei socialmente incorreta no 9.478. Bem que os petroleiros sempre disseram que o Brasil não precisa ter pressa para produzir petróleo, pois a Petrobras já garante seu abastecimento por mais de 40 anos. Porém, não falo com minha sucessora, pois, afinal de contas, o governo é dela.”

“Por isso, acusam, com certo grau de razão, que meu partido e eu somos pouco conscientes com relação à questão nacional. Sem ser xenófobo, hoje, creio que há necessidade de se privilegiar a exploração das riquezas nacionais da forma que mais beneficia a nossa sociedade, o que ocorre em geral com empresas genuinamente nacionais. Enfim, ninguém está completamente pronto para ser presidente.”

“Entretanto, a recuperação dos salários, o aumento do número de pessoas empregadas, a ampliação e o acréscimo do valor do Bolsa-Família, o aumento do número de universidades públicas, a ampliação das vagas disponíveis nas existentes e o Pro-Uni são algumas das realizações das quais me orgulho. Enfim, durmo tranquilo. Fiz tudo que queria e podia fazer e, muitas vezes, tive que criar com esforço condições para as coisas boas acontecerem.”

“Se vocês tivessem entendido tudo isso e dado mais apoio político a mim ou a qualquer outro governante socialmente comprometido, mais poderia ter sido conquistado. A verdade é que quem lhes devora não sou eu, contrariando o enigma da esfinge. São os cartéis, inclusive muitos estrangeiros, que ainda não foram enquadrados. Estão soltos porque não há reação de vocês. Contudo, sei que, com a atual mídia controlada pelo capital, fica difícil o povo tornar-se consciente. A menos que, aos poucos, ele migre para canais de informação mais honestos.”

Neste ponto, acordei da minha divagação, na qual buscava explicações racionais, ou seja, buscava decifrar.

*Conselheiro do Clube de Engenharia

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Os que devem morrer - de Mauro Santayana

Recebi por e-mail o link para essa (mais uma) brilhante postagem do Mauro Santayana. Estou ficando fã desse camarada. Tenho que compartilhar com vocês...


Os que devem morrer - de Mauro Santayana


A ciência prolonga a vida dos homens; a economia liberal recomenda que morram a tempo de salvar os orçamentos. O Ministro das Finanças do Japão, Taso Aro, deu um conselho aos idosos: tratem logo de morrer, a fim de resolver o problema da previdência social.

Este é um dos paradoxos da vida moderna. Estamos vivendo mais, e, é claro, com menos saúde nos anos finais da existência. Mas, nem por isso, temos que ser levados à morte. Para resolver esse e outros desajustes da vida moderna, teríamos que partir para outra forma de sociedade, e substituir a razão do “êxito” e da riqueza pela ética da solidariedade.   

Ocorre que nem era necessário que esse senhor Taso Aro – que, em outra ocasião, ofereceu o Japão como território seguro para os judeus ricos do mundo inteiro – expusesse essa apologia da morte. A civilização de nosso tempo, baseada no egoísmo, com a economia servidora dos lucros e dos ricos, e, sobretudo, dos banqueiros, é, em si mesma, suicida.

É claro que, ao convidar os velhos japoneses a que morram, Aro não se refere aos milionários e multimilionários de seu país. Esses dispensam, no dispendioso custeio de sua longevidade, os recursos da Previdência Social e dos serviços oficiais de saúde de seu país. Todos eles têm a sua velhice assegurada pelos infindáveis rendimentos de seu patrimônio.

Os que devem morrer são os outros, os que passaram a vida inteira trabalhando para o enriquecimento das grandes empresas japonesas e multinacionais. Na mentalidade dos poderosos e dos políticos ao seu serviço, os homens não passam de máquinas, que só devem ser mantidos enquanto produzem, de acordo com os manuais de desempenho ótimo. Aso, em outra ocasião, disse que os idosos são senis, e que devem, eles mesmos, de cuidar de sua saúde.

Não podemos, no entanto, ver esse desatino apenas no comportamento do ministro japonês, nem em alguns de seus colegas, que têm espantado o mundo com declarações estapafúrdias. O nível intelectual e ético dos dirigentes do mundo moderno vem decaindo velozmente nas últimas décadas. Não há mistério nisso. Os verdadeiros donos do mundo sabem escolher seus serviçais e coloca-los no comando dos estados nacionais.

São eles, que, mediante o Clube de Bielderbeg e outros centros internacionais desse mesmo poder, decidem como estabelecer suas feitorias em todos os continentes, promovendo a ascensão dos melhores vassalos, aos quais premiam, não só com o governo, mas, também, com as sobras de seu banquete, em que são servidos, além do caviar e do champanhe, o petróleo e os minérios, as concessões  ferroviárias e nos modernos e mais rendosos negócios, como os das telecomunicações.

A civilização que conhecemos tem seus dias contados, se não escapar desses cem tiranos que se revezam no domínio do mundo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ONG denuncia monopólio da mídia no Brasil

-->
Notícia publicada originalmente no website da Carta Capital, em 24/01/13, no website:

PARIS (AFP) – A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou nesta quinta-feira 24 o monopólio midiático no Brasil, que parece “pouco modificado, 30 anos após a ditadura militar (1964-1985)”.
A ONG definiu o Brasil como o “país dos 30 Bersluconi”, em referência ao magnata italiano da mídia e ex-primeiro ministro italiano.
Uma investigação da RSF, realizada em novembro e revelada nesta quinta-feira, mostra que fora uma dezena de grupos que dividem o monopólio da informação principalmente no eixo Rio-São Paulo, o País “conta com múltiplos meios de comunicação regionais, fragilizados pela extrema dependência em relação aos grandes centros de poder nos estados”.
Uma tutela que afeta diretamente a independência” da imprensa, além de ser um “vetor de insegurança”, ressalta a organização. A ONG lembra que 11 jornalistas e blogueiros foram assassinados no Brasil em 2012, o que coloca o país na quinta posição entre as nações com mais registros de mortes na área. Dois outros foram forçados ao exílio por questões de segurança.
No ano passado, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) colocou o Brasil na lista dos países mais perigosos para o exercício da profissão na América Latina, onde 19 assassinatos de jornalistas foram denunciados, seis deles no Brasil.
Devido a este cenário, a organização considerou o Brasil como uma espécie de “país dos 30 Bersluconi”.
O Brasil apresenta um nível de concentração de mídia que contrasta totalmente com o potencial de seu território e a extrema diversidade de sua sociedade civil”, explica a ONG de defesa da liberdade de imprensa.
O colosso parece ter permanecido impávido no que diz respeito ao pluralismo, um quarto de século depois da volta da democracia”, assinala a RSF.
Segundo a ONG, um dos problemas endêmicos do setor da informação no Brasil é a figura do magnata da imprensa, que “está na origem da grande dependência da mídia em relação aos centros de poder”.
Dez principais grupos econômicos, de origem familiar, continuam repartindo o mercado da comunicação de massas”, lamenta a RSF.
Sempre segundo a RSF, a este sistema se acrescenta a censura na internet e denúncias que levaram ao fechamento de blogs durante as eleições municipais de 2012.
Nesse sentido, citou o caso do diretor do Google Brasil, que ficou preso brevemente por não retirar do YouTube um vídeo que teoricamente atacava um candidato a prefeito.
A organização faz referência a Fábio José Silva Coelho, que foi preso pela Polícia Federal em setembro passado a pedido do candidato a prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal.
Para reequilibrar o cenário da mídia brasileira, a Repórteres Sem Fronteiras recomenda reformar a legislação sobre a propriedade de grandes grupos e seu financiamento com publicidade oficial, assim como a melhoria da atribuição de frequências audiovisuais para favorecer os meios de comunicação e um novo sistema de sanções que não inclua o fechamento de mídias ou páginas, entre outras medidas.
Leia mais em AFP Movel.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ainda sobre o BBB

Assisti a esse filme recentemente e acho que tem muito a ver com o meu último post sobre o BBB. Apesar da qualidade cinematográfica mediana e uma certa carga de preconceito, eu recomendo muito!


Abraços!
VRC

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Sobre o BBB e o criticismo

Salve pessoal, 

Esse é outro post que veio de uma resposta no facebook. 



Essa é a minha resposta (o comentário original vem mais abaixo):


Eu adoro picanha argentina, muqueca capixaba, comida tradicional nordestina ou comida japonesa e fico numa grande alegria quando tenho a oportunidade de experimentar alguma comida exótica ou regional, como a káposzta húngara. De vez em quando eu também como um McDonald's com coca-cola ou mesmo uma coxinha.

Eu adoro filmes cult do cinema europeu como Rocco e Suoi Fratelli e as Bicicletas de Belleville ou um americano cabeça como Syriana. Outras vezes eu sintonizo no Jason Stathan dando porrada em todo mundo. Já o BBB eu não engulo (opção minha).

Estou falando tudo isso simplesmente para dizer que até um rabugento como eu gosta das coisas mundanas do prazer carnal. É uma parte importante da psiquê humana que tem que ser valorizada e alimentada (lembro do livro do Pierre Veil: O Corpo Fala). Nesse sentido, eu considero BBB válido como entretenimento de baixa qualidade intelectual, como McDonald's com coca-cola é de baixa qualidade nutritiva mas ainda assim válido como culinária.

O que me irrita nesse tipo de post e na situação como um todo são duas coisas:

1) A crítica à crítica. Há uma corrente cada vez mais forte para nos transformar em anencéfalos apáticos que não emitem opinião sobre coisa alguma. Bom, a liberdade permite que cada um consuma o entretenimento que quiser, mas ela também permite que eu diga convicto de que BBB é uma bosta (perdoem-me o francês) e lixo cultural da pior espécie, pois se baseia na exploração rasteira de idiotas submetidos ao ridículo por migalhas. Por outro lado, permite que a Natália aí de cima diga que gosta do BBB, apesar disso, e que é um escroto que se acha superior quem diz que BBB é uma bosta. Beleza, tudo é válido e ela ser uma idiota e eu um escroto é melhor do que não sermos coisa alguma. Assim, a qualidade do BBB como entretenimento, bem como futebol, política e religião, são das coisas que mais temos que discutir. E deixe estar a diferença, deixe vir as críticas, que não são fúteis de jeito algum! 

2) A Globo como veículo de entretenimento. Apesar de aceitar como democraticamente legítima a veiculação do lixo como opção de entretenimento, incomoda-me muito a exclusividade desse padrão cultural. A Globo só traz lixo, só o da pior espécie. Para mim, o que os executivos da Globo querem dizer com isso é que eles consideram a população um amontoado de imbecis que não consegue apreciar coisa alguma além da esquete humorística repetida à exaustão, a vergonha alheia, a exposição ao ridículo, a fofoca e o noticiário mercantil, político partidário de direita e de tablóide. Esta emissora me ofende como telespectador e é por isso que, há um bom tempo, eu não mais a assisto. Confesso que eu tenho um verdadeiro preconceito de tudo que vem da Globo. Incomoda-me muito, ainda, a razão por trás da manutenção desse padrão que, na minha opinião, é manter a população sem capacidade de introspecção ou reflexão intelectual, ao mais belo estilo pão e circo. Irrita-me como ninguém mais quer saber de desenvolvimento intelectual, não só não mais valorizando a cultura, mas na verdade a menosprezando. 

Antes eu tinha asco pela ignorância. Hoje, retificado, percebi que muitas vezes a ignorância não é uma escolha, mas sim, uma fatalidade. Por isso, meu asco agora é pelo desejo de ignorância que tantos brasileiros carregam. A do poder constituído, execrável na mesma medida, é, ao menos, mais compreensível.

Mas enfim, posso estar errado. Fiquem à vontade para criticar. Talvez eu responda, talvez não.


Minha resposta foi a esse comentário:


BBB e a futilidade (de quem critica)

Chegou aquela época em que não podemos falar em BBB que na hora aparece alguém dizendo “parem de falar desse lixo, BBB não é cultura”. E quem disse que eu assisto BBB pra ficar mais culta? O legal é que a maioria dessas pessoas ainda nem completaram o Ensino médio e leram pouquíssimos livros na vida. Não que eu me importe com a questão dos livros, porque pra mim lê quem quer e apenas fazer isso não confere o título de ”fodão” a ninguém.

O que me irrita é esse pedantismo todo. Essa de ”sou bom demais pra ver essa porcaria que não é cultura”. Meu amigo, isso é um programa de entretenimento. A gente não vê pra ficar mais inteligente, a gente vê pra passar o tempo, se divertir, dar umas risadas, sentir vergonha alheia. Já pensou se todo mundo pensasse assim? A vida seria uma bosta. “Ah, não vou mais à praia porque praia não vai acrescentar nenhuma cultura à minha vida”, “Ah, não vou mais mais sair pra dançar com meus amigos porque isso não vai me deixar mais inteligente”, e assim sucessivamente.

O povo quer rir, quer chegar em casa depois de um dia cheio e estressante no trabalho e relaxar. Quer ver BBB? Lindo. Quer ler um livro? Ótimo. Quer simplesmente dormir? Beleza. As pessoas têm uma mania muito escrota de tentar se colocar superior às outras, como se isso as tornasse melhor. Vou contar uma coisinha: isso só faz de vocês uns chatos.

Falei sobre isso no twitter e um seguidor se atreveu a comparar BBB com filantropia, dizendo que as pessoas deveriam investir tempo ajudando quem precisa. ALGUÉM MERECE LER UMA PORRA DE COMPARAÇÃO DESSAS? Esse não deve nem doar roupa pra Igreja, coitado. Outro falou que o Brasil está uma merda por causa do BBB. Ah se esse povo investisse tempo protestando contra os políticos e prefeitos coronelistas que tiram tudo de gente que não tem nada… Mas estão ocupados demais votando no Tiririca como “protesto” e criticando o BBB na internet.

BBB é um programa pra passar o tempo e se divertir, e eu não espero nada mais dele. E se você espera, o único burro aqui é você."

- Natália Penas 


Abraços web-náuticos.
V

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A ciência liberta? Artigo de Sidarta Ribeiro

Segue um excepcional artigo do amigo Sidarta Ribeiro retirado do Jornal da Ciência de 11 de dezembro de 2012, neste link: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=85330

6. A ciência liberta? Artigo de Sidarta Ribeiro
Sidarta Ribeiro é professor titular de Neurociências e diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Artigo publicado na revista digital* do escritório de advocacia Rubens Naves - Santos Jr - Hesketh.
No Ocidente economicamente desenvolvido, a ciência funciona há vários séculos como articulação eficaz entre tecnologia e economia, fonte de explicações ontológicas testáveis e diapasão empírico da racionalidade. Por servir criativamente à acumulação de capital da classe dominante, gerando ganhos de produtividade crescentes ao longo do tempo, a ciência foi denunciada desde os anos 1960 como mera ideologia de dominação. Nessa crítica oriunda do campo esquerdo do espectro político, a ciência deve ser encarada não como uma forma aproximativa de obtenção de conhecimento verdadeiro, e sim como um modo conservador de ver e, sobretudo, utilizar coisas e pessoas.

O anticientificismo pós-moderno se recusa a enxergar a ciência como ferramenta para a transformação social, a libertação de crenças nefastas e o progresso humano. Ao rejeitar o potencial revolucionário da ciência, esse ramo do pensamento de esquerda alia-se curiosamente ao seu oposto político, a extrema direita que nega ou enviesa o discurso científico de modo irracional, a fim de preservar o status quo do mercado e do Estado.

Três questões candentes da atualidade servem de exemplo desse entrincheiramento ideológico: a crise do meio ambiente, a proibição das drogas e a política de remuneração dos professores.

Dois debates globais - O planeta atravessa uma crise ambiental sem precedentes, fruto da explosão populacional humana, da utilização desmedida de combustíveis fósseis, da exploração destrutiva dos habitats, da extinção em massa de espécies e da rápida transformação de tudo que se fabrica em lixo. Não apenas se acelera o aquecimento global, mas também cresce a variação sazonal das temperaturas, gerando chuvas e secas excessivas que destroem colheitas e ameaçam o suprimento mundial de alimentos.

A despeito de todas essas evidências, a mídia continua a dar voz aos ideólogos que, movidos por interesses econômicos inconfessáveis, sustentam não haver base científica para preocupação. Usando dados falsos ou distorcidos, políticos pedem tolerância com a irresponsabilidade poluidora das empresas e dos cidadãos. Enquanto isso, a ciência acumula um corpo de evidências demolidor sobre o desastre ecológico em curso.

A questão da proibição das drogas é outro campo em que a ciência enfrenta o obscurantismo. A regulação isonômica de drogas com potencial danoso semelhante é uma exigência da racionalidade. Mesmo assim, drogas de baixo potencial danoso como a maconha e o ecstasy continuam a ser proibidas, enquanto drogas mais danosas como o álcool e o tabaco são legalizadas.

Estudos econômicos e sociológicos demonstram que a proibição, por si só, gera a corrupção, ignorância e violência que alicerçam o mercado negro, este, sim, impermeável à regulação de qualidade dos produtos comercializados, franqueado à eliminação física da concorrência e liberado do pagamento de impostos. A neurociência, por sua vez, esclarece que vários dos efeitos adversos do uso de drogas decorrem do medo inerente a uma experiência proscrita.

Não havendo base científica para a proibição em seus termos atuais, ideólogos travestidos de psiquiatras pinçam seletivamente alguns resultados publicados na literatura científica para induzir pânico moral e convencer a população de que o risco do uso de drogas justifica a guerra contra elas. Na prática, assassinato, achaque e prisão de milhares de jovens pobres nas periferias do mundo.

Distorções na educação - A política salarial dos professores é mais um caso alarmante de cegueira em relação ao saber científico. Em todo o mundo, o sistema de incentivos docentes colide frontalmente com fatos bem estabelecidos pela psicologia e neuroeconomia. A relação entre incentivo e motivação obedece a uma função sigmoide, parecida com um "S" estendido nos dois lados. Isso significa que, para incentivos muito pequenos ou muito grandes, não aumenta a motivação quando aumenta o incentivo. Por essa razão, uma política salarial que busque aumentar a motivação dos professores precisa acontecer na faixa intermediária, em que aumentos de incentivo levam a aumentos correspondentes de motivação. Mas não é o que ocorre.

Em quase todo o mundo, professores que dão aulas para crianças são extremamente mal pagos, no extremo esquerdo da sigmoide, apesar de atuarem na etapa mais difícil e decisiva da formação escolar. Por outro lado, professores que dão aulas para alunos de pós-graduação, servindo portanto a um público já educado e privilegiado, recebem salários 10 ou 15 vezes maiores.

Enquanto não houver uma equiparação salarial entre magistério e ensino superior, com valores condizentes com a função essencial exercida pelos professores em todas as etapas do processo educacional, não haverá uma política salarial racional para a docência.

"Adaptação transformadora" - Mas, afinal, a ciência é intrinsecamente regressiva da condição humana? É claro que não. Há outra narrativa a ser considerada. Com os avanços da arqueologia, paleontologia e biologia molecular, a história da espécie nos últimos dois milhões de anos vai ficando clara. Nossos ancestrais eram belicosos canibais que, organizados pela fala e munidos de ferramentas, domaram o fogo, as plantas e os animais. A guerra foi fundamental para nossa evolução, mas agora é preciso acabar com ela.

O saber técnico, pai da ciência, criou pressões seletivas novas. Hoje vivemos a era da abundância de alimentos que só é possível por causa da ciência agronômica. Já não faz sentido ter muitos filhos como força de trabalho ou combate. Já não faz sentido ser avaro ou violento, agora é adaptativo cooperar.

É justamente a ciência que gera os excedentes de que necessitamos para nos libertarmos do excesso de trabalho, como propôs Marx. Devemos à ciência os computadores e a internet, que lançam as bases de uma verdadeira democracia planetária, em que todos terão acesso à informação e poderão participar das decisões - potencial que precisamos realizar.

As mudanças são vertiginosas e torna-se mais difícil prever o futuro. Mais do que nunca, a ciência precisa ser defendida e apropriada por todos que desejam a paz na Terra.

* A edição nº 12 da publicação digital do escritório de advocacia Rubens Naves - Santos Jr - Hesketh pode ser lida no site www.rubensnaves.com.br e está nas bancas, em versão impressa, encartada na edição de dezembro (nº 65) do Le Monde Diplomatique Brasil.

** A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Evolução

Caros amigos, evolui.

Depois de uma seqüência de carros simples e usados, resolvi investir uma parte do meu patrimônio na qualidade de vida automobilística minha e de minha família. Quis algo que me desse conforto e segurança a um preço adequado (em termo de Brasil, onde os preços são simplesmente abusivos).

Comprei o Chevrolet Cobalt LT 1.4 zero km na concessionária.

Tá aqui as fotos da viatura (como diria o meu irmão) com alguns "populares" atrapalhando:

Pois bem, comprei porque meu carro não mais me atendia. Provavelmente nunca me atendeu, mas foi o que eu podia comprar na emergência do segundo filho nascendo e eu rodando de bicicleta pela cidade. Mas, justiça seja feita, o Uninho foi um guerreiro. Carregou-me e a minha família por não menos que 30 mil km, com pouquíssimas surpresas e admirável agilidade. Adorei o carrinho!

Entretanto, ele não aguentava mais. Estava cansado e dava claros sinais disso. Nunca pôde oferecer toda a segurança para quem carrega dois meninos e patroa na selva das estradas brasileiras. Então, juntei a necessidade com os ventos favoráveis do IPI baixo e resolução de alguns problemas financeiros, e adquiri o Cobalt.

E por que o Cobalt? - perguntaria meu leitor. Porque ele é o que melhor reúne aquilo que desejo e necessito. Explico-me

É um carro muito seguro. Conta, já em sua versão intermediária (LT) com AIRBAG e ABS com EBD, itens então indispensáveis para mim, já que ia gastar dinheiro com carro novo. Tem direção hidráulica, ar condicionado, vidros elétricos, alarme e trava. É bonito, para quem é capaz de apreciar design para além do estilo esportivo / arrojado / futurístico. É muito confortável: além dos itens acima, uma suspensão macia que não prejudica estabilidade e um ótimo nível de ruído interno, ainda tem um espaço interno admirável: 563 L de porta-mala com entre-eixos de 2,68 m, apesar de ser sedã compacto. E, no mais, tem um preço bem razoável, levando em conta o extorsivo mercado automobilístico brasileiro.

Se você quer um carro ágil, esperto nas estradas, com potência, esse NÃO É o carro para você. O Cobalt é um carro tranqüilão, que não se apressa. Chegou nos 180 km/h ele corta a aceleração e, assim, evita a super adrenalina (180 km/h, fala sério, não é suficiente?). Aceleração e retomada, ainda que boas, são piores que a do Voyage por exemplo. Para as ultrapassagens, tem que se ter a segurança de uma boa distância de contra-mão.

E quer saber? Eu acho isso tudo muito bom! Primeiro porque dificilmente vou passar dos 110 km/h, chegando no máximo a uns 140 km/h num retão da 040 e olhe lá. Portanto, o que o Cobalt entrega é mais do que o necessário para mim. Além disso, a tchurma da adrelina não vai comprar esse carro, não vai se alucinar na estrada ou na cidade, aumentando o índice de sinistro e encarecendo o seguro. Aliás, o valor do seguro desse carro é uma de suas vantagens reais.

No mais, é um carrão. Ele flutua nas ruas e na estrada. Tem segurança e conforto. É tranqüilão sim, assim como um pai de família com a cabeça no lugar. E, em termos de Brasil, o preço é bom.

Ou seja, é tudo que eu queria. Obviamente existem carros melhores, mas nenhum que eu possa pagar no momento.

Enfim, recomendo muito para quem tem meu perfil: pai de família, que já abandonou a adolescência que precisa de carros esportivos. Estou satisfeito. E para quem é da adrenalina, por gentileza, façam um favor a vocês e a todos nós: detestem esse carro.

Curiosidade: quem quiser saber da minha história automobilística, leiam:


Os veículos mostrados lá são:

Corsa GL 1.4 95/96 em 2004
Palio Weekend Stile 1.6 16V 99/00 em 2007
Celta 1.0 04/04 em 2007
BACINI 21V 2009 em 2009 (É UMA BIKE!)
Uno Mille Smart 1.0 00/01 em 2010

Abraço forte!
Vinícius

sábado, 24 de novembro de 2012

E assim caminha a humanidade

Outubro de 2004 a maio de 2007





Junho a julho de 2007 


Agosto de 2007 a janeiro de 2009




Fevereiro de 2009 a junho de 2010


Julho de 2010 a 23 de novembro de 2012




24 de novembro de 2012 em diante...


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Aluna da Bioengenharia da UFSJ recebe prêmio em Pernambuco

Nesta última quinta-feira, dia 4 de outubro, a mestranda Jasiara Carla de Oliveira, do Programa de Pós-graduação em Bioengenharia (PPBE), vinculado aos docentes do Departamento de Engenharia de Biossistemas (DEPEB), ganhou o prêmio Cândido Pinto de Melo, concedido pela Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica, durante o XXIII Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica, que ocorreu de 1° à 5 de outubro, em Porto de Galinhas, PE. O prêmio é entregue aos autores dos três melhores artigos científicos publicados nos anais do congresso.

O artigo da aluna da UFSJ intitulado "Influência dos parâmetros da estimulação elétrica na supressão de crises por pentilenotetrazol" foi considerado o segundo melhor artigo científico dentre quase 750 trabalhos. Orientado pelo professor Vinícius Rosa Cota (DEPEB), o trabalho aborda os resultados do mestrado da aluna, que investigou, em ratos submetidos ao modelo de crises por pentilenotetrazol, qual combinação de parâmetros da morfologia da estimulação elétrica dessincronizante (não-periódica) maximizam a eficiência deste tratamento das Epilepsias, analisando como estes parâmetros agem na sincronização neural (do nível celular ao sistêmico). Todas as etapas do trabalho, desde sua concepção, os experimentos, a análise dos dados e até a redação do artigo, foram desenvolvidos inteiramente nas instalações do Laboratório de Neurociência Experimental e Computacional (LANEC) do DEPEB / UFSJ, no âmbito do PPBE, com auxílio financeiro da CAPES, FAPEMIG e CNPq.

Além da Jasiara, outros cinco alunos do LANEC, todos pós-graduandos do programa na área de Bioengenharia de Sistemas Neuronais, ficaram classificados entre os 30 finalistas para concorrer ao prêmio.

Jasiara comenta que além do certificado e do prêmio em dinheiro, o mais importante para ela e seus colegas “é trazer de Porto de Galinhas a satisfação de colocar o nome da UFSJ onde é seu lugar: no topo da lista da excelência científica brasileira”.


Da esquerda para direita: Prof. Eduardo Tavares Costa (presidente da SBEB), Prof. Dr. Renato E. de Araújo (organização do XXIII CBEB), Jasiara Carla de Oliveira (mestranda do PPBE/UFSJ), Prof. Dr. Sérgio Santos Muhlen (presidente do concurso Cândido Pinto de Melo).

========================

Notícia originalmente publicada pela Assessoria de Comunição da UFSJ no portal da universidade, em 11/10/2012: http://www.ufsj.edu.br/noticias_ler.php?codigo_noticia=3447

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A necessária priorização no apoio às universidades federais, artigo de Wanderley de Souza


Gostei muito da reflexão do Professor Wanderley e, por isso, tomei a liberdade de reproduzir seu texto aqui, originalmente publicado no Jornal da Ciência num. 4589 de 24 de setembro de 2012 (http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=84269).

=========================================

Wanderley de Souza é professor titular da UFRJ, diretor de Programas do Inmetro, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Medicina. Artigo publicado no Jornal do Brasil de domingo (23). 

Recentemente, a Folha de São Paulo publicou importante análise sobre as universidades brasileiras (http://ruf.folha.uol.com.br/). Vários critérios foram utilizados na avaliação de 232 instituições, e os resultados obtidos deixam claro que é possível identificar um conjunto de instituições que estão sempre entre as 10 primeiras, qualquer que seja o critério analisado. Entre elas destacam-se três universidades estaduais mantidas pelo governo do estado de São Paulo: USP, Unicamp e Unesp. Encontram-se ainda sete universidades federais: UFRJ, UFMG, UFRGS, UFPR, UnB, UFSC e UFPE. Estas se destacam em praticamente todos os campos do conhecimento.

Desde logo, cabe ressaltar que os resultados obtidos não trazem grandes surpresas. Logo, seria natural que o MEC e o MCTI, em associação com outros ministérios setoriais, aproveitassem este resultado para desencadear um projeto de apoio específico a estas instituições, estabelecendo metas muito bem definidas, visando colocá-las em um período de dez anos entre as cem melhores universidades do mundo. Para tal, contratos de gestão poderiam ser estabelecidos com acompanhamento e avaliação permanentes. Não tomar esta atitude, com receio da natural reação das demais universidades, é fugir à responsabilidade que se espera de quem tem compromisso com o desenvolvimento científico e tecnológico do País.

Os dados publicados também deixam clara a existência de outras universidades com forte atuação em determinados setores. Destaco aqui a Unifesp, centro de excelência na área médica, bem como Viçosa e Lavras, instituições tradicionais no setor agropecuário. Nestas áreas, estas instituições também deveriam contar com apoio especial, tal como mencionado acima. Cabe ainda ressaltar que o País não pode descuidar de suas várias regiões, e um programa semelhante deveria ser formulado para apoio à UFPA, UFCE e UFBA.

Finalmente, antes que receba duras críticas de colegas das instituições não citadas, defendo a posição de que todas recebam o devido apoio para que se desenvolvam e que, a cada dois anos, aquelas com melhor desempenho possam gradativamente se incorporar ao conjunto daquelas mencionadas acima. Todos devemos estar conscientes de que sem termos a coragem de estabelecer prioridades, continuaremos ocupando posições não compatíveis com o atual estágio da ciência brasileira bem como da sua posição econômica entre as nações.

Quando existem várias instituições ou organizações atuando em um determinado setor, é sempre importante avaliar seus desempenhos e estabelecer comparações entre elas. Surgem assim os chamados "rankings", tão importantes como controversos. Quando tais avaliações são feitas em instituições de ensino superior e de pesquisa, constituídas sobretudo pelas universidades, a comparação é mais complexa, uma vez que no Brasil, infelizmente, ainda não tivemos a coragem de separá-las em três grupos distintos: (a) aquelas que se dedicam à atividade de pesquisa na grande maioria das suas unidades e departamentos, e que são poucas e concentradas sobretudo em instituições públicas; (b) as que se dedicam principalmente à atividade de formação de recursos humanos, constituindo a maioria e concentradas nas instituições privadas; (c) aquelas que atuam no ensino, mas também procuram fazer pesquisa científica e tecnológica, ainda que em poucas áreas do conhecimento, estando concentradas principalmente entre as instituições públicas e algumas privadas.

Infelizmente, a comunidade acadêmica ainda não se conscientizou de que todas são importantes e que não há demérito em uma instituição se dedicar principalmente ao ensino, formando profissionais altamente qualificados para atender às necessidades crescentes do mercado em um país em processo de desenvolvimento. Talvez o fato de designar todas estas instituições como universidade esteja na raiz das dificuldades em entendê-las e classificá-las.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O novo código florestal: uma ponderação


Caros nautas, estou de volta.

Hoje eu gostaria, como diria meu amigo Sidarta, de "destampar uma panela". A panela é a do novo código florestal e as respectivas campanhas pró e contra.

Verdade seja dita, por um bom tempo me ausentei dessa discussão, pela única razão de ter encontrado dificuldades em formar uma posição convicta, ou mesmo de contribui para a discussão. Confesso que me deixei alienar; outros assuntos mais urgentes me exigiram a dedicação e acabei aprendendo muito pouco a respeito dessa nova lei.

Assim, para não cometer uma desonestidade intelectual, nunca "curti" no facebook os links e imagens da campanha "Veta Dilma" e nem me pronunciei em qualquer das mídias que uso. Afinal de contas, eu não estava informado o suficiente. Mais ainda, sempre achei que posições extremas raramente contribuem para uma solução, seja de qualquer dos dois lados da discussão: tanto a ganância do agronegócio inescrupuloso quanto a estupidez dos ecochatos "abraça-árvores". Eu sentia que a nova lei pendia muito para aquele primeiro lado e a campanha do veto pendia muito para este segundo lado.

Tomei coragem de lançar meu tempero nesse preparado quando me deparei com o texto intitulado "O código florestal e a arapuca técnica", assinado por Mauro Santayana e publicado, segundo me consta, no Jornal do Brasil. Eis um link para o artigo:

http://www.vermelho.org.br/ro/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=184005

Este é, na minha opinião, um dos melhores textos que li a respeito do tema. A razão disso é que o autor é muito feliz ao ponderar bem a questão, revelando o risco social de posições extremas, em ambos os lados da discussão. Se por um lado a óbvia voracidade do novo código é escancarada, por outro se sugere que a preservação desinformada pode, por sua vez, também atender interesses bem menos nobres.

No mais, o caminho a se seguir é entender que é falsa a dicotomia desenvolvimento econômico versus preservação dos recursos naturais. O termo Desenvolvimento Sustentável virou clichê antes de ser posto em prática só por conta de um mau uso excessivo nas propagandas das grandes empresas.

A boa notícia é que a sociedade já conta com um robusto conjunto de reais soluções técnico-científicas para o problema. Eu que não sou da área conheço várias. Uma em particular, que despertou meu interesse, é muito pouco divulgada, mas tem enorme potencial. São os sistemas silvopastoris para o agronegócio sustentável, onde gado e floresta convivem de maneira ecologicamente sustentável e economicamente vantajosa.

Sistema silvipastoril

Isso é só um exemplo, pois existem muitas outras idéias interessantes, fáceis de colocar em prática e eficientes na viabilização do desenvolvimento sustentável. O que não existe, e essa é a má notícia, é vontade política, sobrepondo-se, assim, a resistência de vários setores do capital...

Enfim, essa é minha ponderação.

Abraços,
VRC

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dinheiro, riqueza, miséria, mérito e mediocridade.

Hoje vi um vídeo no facebook que me deixou indignado, mas na medida certa, sem apelos sentimentalóides, pois hoje estou mais calejado com esse tipo de coisa. Quando escrevi meu comentário, ele acabou ficando grande demais para o formato da rede social, aí resolvi transferir tudo para cá, para o meu blog.


O vídeo é esse:




E o comentário é o que segue abaixo.

Quem trabalha muito, tem inteligência e se esforça para ganhar o seu dinheiro na base do mérito, seja muito ou seja pouco, tem todo o direito de gastar como quiser. Mas não tem direito de rasgar, porque isso é crime (artigo 163, Parágrafo Único, inciso III, do Código Penal Brasileiro.). Ademais, quem age igual o camarada do vídeo, certamente não teve nem a inteligência e nem o mérito para ganhar o dinheiro que rasga. Se tivesse, não o rasgaria, por mais que ele sobrasse. Portanto, o vídeo me revolta sim, porque vejo pessoas tão medíocres vivendo com tanta abundância, enquanto tantos trabalhadores de verdade são tão miseráveis. Quanto ao flagelo humano mostrado no vídeo, fico muito triste em lembrar que ainda existe tanta pobreza numa das maiores economias do planeta. Não só pela miséria em si, mas por constatar que a sexta posição no ranking não passa de uma falácia de marketing: temos muito dinheiro e continuamos miseráveis. Mas eu não saio vendendo tudo que tenho para doar a esses miseráveis. Sabe por que? Porque simplesmente não funciona. Eu faço a minha parte para reverter o absurdo no nosso país de outra maneira: estudo, trabalho, dedico-me, respeito as leis, voto bem (o melhor que posso), protesto, denuncio e, por fim, pago os impostos, mas me revolto muito contra a bandalheira que existe nesse país. Pois a bandalheira não é só dos governantes que não repassam adequadamente o dinheiro dos impostos para salvar a vida desses (e de outros) mortos de fome. É também da mídia sensacionalista e cúmplice que monta vídeos para tentar transferir a resposabilidade da catástrofe humana para pessoas como eu e você que vemos o vídeo e nos sensibilizamos e nos perguntamos se estamos fazendo o suficiente, se a caixa de cerveja do reveillon não foi um excesso cujo valor não poderia ser doado em favor do próximo. A bandalheira é das religiões-empresas que exploram esse nobre sentimento ao máximo para depenar ainda mais o muito pobre e enriquecer ainda mais o muito rico, como têm feito há milênios. E por fim, é do acomodado que simplesmente é levado pela maré e se recusa a entender esse tipo de coisa. Que todos tenhamos um 2012 mais atento e inteligente. E digo mais uma vez: está chegando a hora de começar a meter o pé em algumas portas por aí.

Abraços!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Software compatível com Pinnacle USB 710? Sim: AMCap da Microsoft

Salve amigos,

Eu não costumo postar conteúdo técnico em meu blog, muito menos na área de hardware ou de software, que eu domino pouco. Mas hoje abri uma exceção, pois imagino que esse post possa ajudar muita gente que gosta de fazer captura de vídeo, já que não encontrei ajuda alguma na web para o problema técnico que tive recentemente.

O software Pinnacle Studio 12.1 (14 mais recentemente), que vem com o sistema de captura de vídeo Pinnacle USB 710, tem algumas sérias limitações para muitos que desejam fazer captura de vídeo, com os mais diferentes objetivos. O meu caso é um exemplo: desejo fazer vídeo-EEG, uma técnica experimental em neurociências, que conjuga vídeo do animal com seu registro eletroencefalográfico (atividade elétrica cerebral). O Pinnacle Studio não permite que eu isole ou aumente a janela em que aparece o vídeo, prejudicando muito a qualidade da imagem composta (vídeo do animal + EEG). O pior é que o suporte técnico da empresa não ajudou em nada, seja por limitação técnica mesmo ou por omissão de informações que poderiam beneficiar o concorrente. A internet também não ajudou muito, mesmo depois de uma busca exaustiva por fóruns, FAQs e diversos websites.


Assim, por quase uma semana, fiquei sem resposta para uma pergunta que costuma atormentar muitos capturadores de vídeo por aí:

O hardware da Pinnacle pode ser usado com outro software alternativo? Se sim, que software é esse?

Pois bem, o que eu fiz para resolver o problema foi fazer o download de um monte de software de captura de vídeo para sair testando. Dei sorte: o primeiro que eu tentei, funcionou: o AMCap da Microsoft, facilmente encontrado em sites como o Baixaki.

O AMCap reconhece automática e imediatamente o hardware da Pinnacle e captura a imagem em uma janela isolada e completamente dimensionável. Ele grava para disco, em formato AVI e WMV e faz outras cositas interessantes também. A licença do software é gratuita  (?) mas, pelo que ouvi dizer, a versão demo disponível para download coloca uma marca d'água na imagem quando um "snapshot" é tirado. Enfim, para mim ele resolveu completamente o problema.

Então, se você tem um hardware de captura de vídeo da Pinnacle, mas não gosta do software que vem com ela, ao menos um programa alternativo pode ser usado: o AMCap da Microsoft. Imagino que haja outros mais, que inclusive funcionem com outros modelos de hardware da Pinnacle e mesmo de outros fabricantes, mas não fiz testes nesse sentido.

Enfim, pelo que vi na web, espero que esse post ajude bastante a quem andou perdido por aí como eu.

Bons vídeos a todos vocês!